Por: Diário Digital Castelo Branco
A tradição secular da Rota da Transumância será recriada, a partir de sexta-feira, em 10 aldeias da Beira Baixa, da serra da Estrela e da serra de Montemuro, com o objetivo de sensibilizar para a necessidade de preservar a pastorícia.
A tradição secular da Rota da Transumância será recriada, a partir de sexta-feira, em 10 aldeias da Beira Baixa, da serra da Estrela e da serra de Montemuro, com o objetivo de sensibilizar para a necessidade de preservar a pastorícia.
“A pastorícia está a desaparecer e, com ela, toda uma identidade que está na génese das gentes beirãs. É imperativo preservar este legado e o turismo pode ser um instrumento para o fazer”, defendeu a Destinature - Agência para o Desenvolvimento do Turismo de Natureza, promotora da Grande Rota da Transumância.
Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Manteigas, Seia, Gouveia, Castro Daire, Guarda, Fundão, Covilhã e Celorico da Beira são os concelhos que vão participar na iniciativa.
Financiada pelo Programa Operacional Regional do Centro, no âmbito da Estratégia de Eficiência Coletiva do Plano de Ação do Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE) “Explore: iNature & Center Geoparks 2030”, a Grande Rota da Transumância terá a sua primeira etapa na sexta-feira, em Castelo Branco.
Em comunicado, a Destinature explicou que se trata de “um projeto de turismo sustentável e de impacto nas comunidades e economias locais”, que pretende contribuir para a valorização de produtos como o queijo, a lã, o burel e o cobertor de papa.
“A transumância é um património vivo: reúne saberes e práticas comunitárias, molda paisagens, reforça identidades locais e sustenta expressões culturais e gastronómicas profundamente enraizadas no interior”, realçou.
A Grande Rota da Transumância vai agregar, num único programa, os eventos ligados à transumância no Centro de Portugal, através de 10 percursos pedestres a realizar em datas próximas de festas populares associadas a esta temática.
A Destinature considerou que, “ao ligar percursos pedestres a festas e momentos de celebração local”, a iniciativa “ajuda a dar visibilidade e continuidade ao património pastoril, estimulando também uma experiência de turismo de natureza mais autêntica, distribuída no território e próxima das comunidades”.
O projeto de animação turística pretende cruzar “tradição, cultura, gastronomia e natureza num calendário anual temático com duração entre maio e outubro”.
O objetivo é “dinamizar uma oferta turística integrada com enfoque nos patrimónios natural, cultural e gastronómico das regiões abrangidas, de forma a promover um turismo sustentável e genuíno”, referiu a agência, acrescentando que, em alguns dos dias, haverá também palestras e debates sobre temas da pastorícia.
A primeira etapa, em Castelo Branco, intitula-se “O campo vai à cidade” e conta com a colaboração da Câmara e da Escola Superior Agrária e a participação dos agrupamentos de escolas da cidade.
Segundo a Destinature, a iniciativa celebra o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, declarado pelas Nações Unidas, e junta-se ao esforço que tem sido feito pela rede de municípios Terras da Transumância (Castro Daire, Fundão, Gouveia e Seia) e pela Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela.
No ano passado, estas entidades conseguiram o registo da Transumância da Serra da Estrela no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial de Portugal.
“Num mundo cada vez mais acelerado e desligado da natureza, a Grande Rota da Transumância vem sublinhar a importância da pastorícia na gestão das pastagens e na proteção da biodiversidade e chamar à atenção para o papel fundamental dos pastores na segurança alimentar e na resiliência climática”, frisou.
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