Por: Diário Digital Castelo Branco
O Instituto Património Cultural abriu a consulta pública para a inscrição do Bodo em Honra do Mártir São Sebastião da Lardosa, em Castelo Branco, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Segundo o anúncio publicado em Diário da República, a consulta pública terá a duração de 30 dias e os elementos do processo de inventariação do Bodo em Honra do Mártir São Sebastião da Lardosa encontram-se disponíveis para consulta no sítio na Internet do Património Cultural.
À agência Lusa, o presidente da Câmara de Castelo Branco justificou a abertura deste processo como forma de valorizar o património imaterial do concelho.
“A Lardosa [freguesia] tem mantido esta tradição bem viva, assumida por uma comissão que promove os festejos anuais que incluem a confeção e o desfile dos coscoréis”, explicou Leopoldo Rodrigues.
O autarca sublinhou ainda que este processo visa também contribuir e potenciar a preservação do bodo.
O bodo da Lardosa, celebrado em honra de São Sebastião, é uma festividade de caráter cíclico centrada na partilha alimentar e organizado por um grupo de festeiros, cuja composição vai variando ao longo dos anos.
A festa realiza-se anualmente e ocorre no sábado mais próximo do dia 19 de janeiro.
Segundo a tradição oral, a celebração terá tido origem num voto de agradecimento ao Santo Mártir, por livrar a aldeia das pragas periódicas de gafanhotos que, entre os séculos XVIII e XIX, arrasavam os campos agrícolas da freguesia.
Embora a festa se realize num único dia, os preparativos têm início cerca de um mês e meio antes, com um peditório de géneros alimentares conduzido pelos festeiros. Recolhem-se, nessa ocasião, produtos indispensáveis à confeção dos coscoréis (como azeite, farinha e ovos), bem como outros destinados ao leilão de enchidos ou ao próprio consumo durante a celebração.
Dias antes da festa, um grupo de mulheres começa a confecionar na Casa do Povo os coscoréis, uma filhós de forma entrançada oferecida como ex-voto a São Sebastião.
A festa inicia-se com um pequeno cortejo desde a Casa do Povo até à Capela de São Sebastião, onde as mulheres transportam à cabeça tabuleiros carregados de coscoréis, seguindo-se uma missa campal.
No final, os coscoréis são benzidos e partilhados pelo povo, numa partilha ritual que recria e reforça os laços de solidariedade e coesão comunitária.