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Cultura 7 de outubro de 2026

Associação vimaranense estreia no Fundão espetáculo que cruza a memória da Tuna com o Fado

Por: Diário Digital Castelo Branco

“Quando a Tuna (canta o Fado)”, nova expressão artística da Pautas e Harmonias, superou a primeira prova perante um público conhecedor e exigente, no Festival de Fado Amália Rodrigues.

A associação cultural vimaranense Pautas e Harmonias estreou, no passado domingo, 4 de outubro, no Fundão, o seu novo projeto artístico: Quando a Tuna (canta o Fado).

A estreia aconteceu no Octógono, integrada no Festival de Fado Amália Rodrigues, perante uma sala muito bem composta e num contexto que constituía, desde logo, uma verdadeira prova de fogo. O primeiro público do projeto era o público de um festival de Fado: conhecedor do repertório, atento às suas referências e, naturalmente, exigente na forma como essas canções são tratadas.

A resposta não podia ter sido mais clara. A plateia permaneceu do primeiro ao último tema, cantou, acompanhou os músicos com palmas e, depois do encore, levantou-se para uma ovação final, à qual o grupo respondeu com uma vénia coletiva de agradecimento.

A própria configuração do concerto nasceu de um improviso. Procurando dar à estreia um ambiente mais intimista, os músicos decidiram dispensar o palco e a amplificação. Juntaram-se à plateia e foi ali, no meio do público, sem microfones e sem a distância habitual entre quem atua e quem assiste, que deram o primeiro concerto de Quando a Tuna (canta o Fado).

Ao longo de cerca de uma hora, o espetáculo cruzou música, memória e histórias. O público foi conhecendo a relação entre a Tuna e o Fado e o contexto de cada um dos temas apresentados. Porque este projeto não nasceu para reproduzir um concerto convencional de Fado. Nasceu para prestar homenagem às versões que, durante décadas, as Tunas Académicas fizeram dos grandes fados e das canções de sempre, levando-as às serenatas, aos festivais, aos teatros, aos discos e aos palcos académicos.

Esse é também o espaço próprio de Quando a Tuna (canta o Fado). Um espetáculo assente num repertório que o público reconhece desde os primeiros acordes, apresentado através de vozes e instrumentos habituais na sonoridade da Tuna e acompanhado por uma narrativa que devolve às canções parte da sua história.

A estreia num festival dedicado ao Fado, cujo cartaz integrou nomes como Camané, Pedro Moutinho e Raquel Tavares, permitiu testar o projeto perante um público particularmente conhecedor. A receção demonstrou que esta abordagem pode conviver naturalmente com a programação de Fado e, ao mesmo tempo, chegar a públicos que procuram uma experiência musical diferente.

Para municípios, festivais e programadores culturais, o projeto oferece também uma resposta a um desafio frequente: construir programação em torno do Fado com capacidade para chegar a um público alargado, sem depender exclusivamente da presença de um grande nome como cabeça de cartaz. Quando a Tuna (canta o Fado) propõe outro caminho, através de uma interpretação coletiva, de um repertório familiar e da proximidade criada entre os músicos, as histórias e a plateia.

Não pretende ocupar o lugar de um concerto tradicional de Fado. Ocupa um lugar diferente, no cruzamento entre duas expressões da música portuguesa que sempre estiveram mais próximas do que, por vezes, nos lembramos.

Um dos momentos especiais da estreia aconteceu durante a interpretação de “Moda das Tranças Pretas”, com a participação de Leonel Barata, da Fado Cale – Associação, entidade responsável pelo Festival de Fado Amália Rodrigues.

Quando a Tuna (canta o Fado) nasce no seio da Pautas e Harmonias, associação cultural sediada em Guimarães, a partir de uma reflexão sobre a relação histórica entre a Tuna e o Fado. Muito antes da projeção nacional e internacional que hoje lhe reconhecemos, este repertório já fazia parte da vida musical de muitas Tunas, que o adaptaram aos seus instrumentos, às suas vozes e à sua forma própria de fazer música. É essa relação, construída ao longo de várias gerações, que o novo espetáculo recupera e apresenta ao público.

Depois da estreia no Fundão, a Pautas e Harmonias inicia agora a circulação do projeto, concebido para integrar programações municipais, festivais, teatros, auditórios e outros espaços culturais. O espetáculo pode assumir uma configuração convencional em palco ou um formato acústico e intimista, mantendo como elemento central a proximidade com o público.

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