Por: Diário Digital Castelo Branco
A água da albufeira da barragem de Santa Águeda, em Castelo Branco, apresenta valores normais de metais, nitratos, nitritos e fósforo, e ausência de pesticidas e substâncias químicas sintéticas (PFAS), anunciou hoje a Quercus.
“Apenas o TFA, com uma concentração de 0,73μg/L (microgramas por litro) é preocupante. Apesar de não constituir uma situação de risco imediato, deve ser monitorizado”, revelou o núcleo regional de Castelo Branco da Quercus.
Em 2022, a Quercus denunciou a retirada de milhares de peixes mortos da albufeira, mas o município de Castelo Branco garantiu que todas as análises feitas à água garantiam qualidade para consumo humano.
Nessa altura, a própria Agência Portuguesa do Ambiente (APA) esteve no terreno com ações de fiscalização e do reforço da monitorização da qualidade da água e esclareceu que “a qualidade da água para abastecimento público (…) tem sido sempre garantida pela AdVT [Águas do Vale do Tejo], tal como comprovam os resultados da monitorização realizada por esta entidade, de acordo com a legislação em vigor”.
Em comunicado hoje enviado à agência Lusa, os ambientalistas divulgaram os resultados obtidos em análises laboratoriais a amostras de água recolhidas no final do mês de junho em três pontos diferentes da albufeira.
A Quercus recorreu a um laboratório francês com acreditação independente para realizar a análise que avaliou 842 itens diferentes, entre substâncias, produtos de degradação e outros indicadores da qualidade da água.
Segundo os ambientalistas, os resultados das análises periódicas do primeiro trimestre de 2026 referentes aos quatro municípios abastecidos pela água da albufeira (Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Vila Velha de Ródão e Fundão) estão em concordância com os resultados obtidos nesta análise.
“É o caso do glifosato, pesticidas totais, nitratos, nitritos, alguns metais e soma de PFAS em que não aparecem sinais de valores acima dos limites, nem de presença relevante”, vincaram.
Além disso, os ambientalistas realçaram ainda que “não se detetaram PFAS nem pesticidas (tais como glufosinato, ditiocarbamatos, paraquato e diquato, entre outros), tendo estes ficado abaixo do limite de quantificação do laboratório”, e os metais analisados (cádmio, chumbo e mercúrio, entre outros), nitratos, nitritos e fósforo total dissolvido apresentaram resultados dentro dos valores normais”.
Apesar destes resultados, a Quercus sustentou que uma análise pontual é insuficiente para ter um conhecimento aprofundado de um sistema complexo, como é a albufeira.
Neste âmbito, considerou importante realizar novas análises e noutros períodos do ano assegurando uma monitorização continuada.
“Conhecer melhor a qualidade da água na origem é essencial para proteger os ecossistemas, gerir melhor a água e garantir informação clara, rigorosa e acessível aos cidadãos”.
Os ambientalistas salientaram também que a informação de base técnica e científica é fundamental para reforçar a confiança das populações nas instituições e nos serviços prestados.
O plano de água da albufeira de Santa Águeda ocupa uma área com cerca de 634 hectares e o seu uso principal é o abastecimento público.
Encontra-se classificada como albufeira de águas públicas protegidas, que são aquelas cuja água é ou se prevê que seja utilizada para abastecimento de populações e aquelas cuja proteção é ditada por razões de defesa ecológica.