Introduza pelo menos 5 caracteres.
img
Região 27 de agosto de 2026

Site do sistema "Volta" indica Oleiros sem recolha, gestora diz que não

Por: Diário Digital Castelo Branco

Dezasseis municípios do país, entre os quais Oleiros, distrito de Castelo Branco, não têm pontos de recolha de embalagens segundo a plataforma do sistema Volta, mas o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) contrapõe com apenas cinco concelhos sem máquinas e que o ‘site’ não está atualizado.

O sistema Volta, em funcionamento desde 10 de abril, refere na sua página eletrónica que possui mais de 3.000 pontos no país, que permitem aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 0,10 euros por embalagem pago na compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros.

Numa pesquisa pelos pontos de recolha indicados pelo sistema, nesta quinta-feira, dos 308 municípios do país, 16 concelhos não possuem indicação dos pontos e quiosques que “permitem entregar as embalagens com facilidade e garantem o regresso do valor do depósito”.

Os municípios sem qualquer ponto Volta no ‘site’ são Alcoutim (no distrito de Faro), Alvito e Barrancos (Beja), Fronteira e Marvão (Portalegre), Mora e Mourão (Évora), Sardoal (Santarém), Penedono e Sernancelhe (Viseu), Oleiros (Castelo Branco), Ribeira de Pena e Santa Marta de Penaguião (Vila Real), Vimioso (Bragança), Lajes do Pico e Corvo (Açores).

Questionada sobre a ausência do sistema nos 16 municípios, a SDR Portugal disse à Lusa que, no total, a entidade possui “303 municípios com pontos Volta registados” e que os municípios onde não possuem registo são Alcoutim, Mora, Ribeira de Pena, Santa Marta de Penaguião e Corvo.

Segundo a mesma fonte oficial, todos os outros municípios que não constam da plataforma “têm pontos de recolha registados” e não estão no ‘site’ porque ainda foi atualizado.

“Não conseguimos atualizar todos os dias, a todas as horas, mas vai sendo atualizado”, acrescentou a fonte da SDR.

No entanto, no município de Oleiros, que a SDR diz já possuir ponto de recolha, mas ainda não consta do ‘site’, o presidente da câmara, Miguel Marques (PSD), reiterou à Lusa que não há qualquer equipamento Volta no concelho.

Perante este cenário, a população de Oleiros tem de fazer 50 quilómetros até à Sertã (25 quilómetros para cada lado), para colocar as suas garrafas de plástico e latas num ponto de recolha Volta.

De acordo com o autarca, os munícipes sentem-se prejudicados com o sistema.

“As pessoas vão dando conta do seu desagrado e partilhando essa crítica, mesmo nas redes sociais, mas quando tentamos perceber o funcionamento do sistema, parece que tem de ficar junto de um hipermercado, de média ou grande dimensão”, referiu o autarca.

Apesar da alteração da situação não depender do município, Miguel Marques diz que está “disponível para fazer parte da solução”, pois “a população de Oleiros tem de ter o mesmo acesso e os mesmos direitos da restante população, não podendo pagar mais 10 cêntimos por cada embalagem, mas depois para rever esse depósito tenha de gastar mais em combustível”.

No concelho de Mourão, no distrito de Évora, também sem qualquer ponto de recolha Volta, o presidente da câmara, João Fortes (PSD/CDS-PP), disse à agência Lusa nunca ter sido contactado para a instalação de um destes quiosques.

“Mourão não tem nenhum quiosque de recolha deste novo sistema e nunca houve qualquer sensibilização para a colocação dos mesmos, nem junto da câmara, nem dos operadores comerciais”, relatou.

A população, segundo o autarca, também “ainda não deu qualquer indicação de que queira ou esteja interessada” num ponto de recolha do sistema Volta, estando “o mais próximo” situado no vizinho concelho de Reguengos de Monsaraz.

“Para já, não houve qualquer pressão pública nesse sentido. E nenhum contacto de quem gere a rede para a criação de um ponto de recolha aqui”, pelo que “iremos aguardar esse contacto”, acrescentou.

Em Mora, o presidente da autarquia, Luís Simão (CDU), avançou que a máquina “ainda não está a funcionar”, mas “já foi adquirida” e “já está, inclusive, no local”, na superfície comercial que vai recolher as embalagens, presumindo “que estará muito em breve a funcionar”.

Na falta da máquina, explicou o autarca, a população de Mora tinha que se deslocar aos concelhos vizinhos, que distam “na ordem dos 35 a 40 quilómetros” e “já havia pessoas a questionar porque é que há em todo o lado e em Mora ainda não havia”.

“Se as pessoas estão a pagar por uma embalagem, é natural que sejam ressarcidas por isso. O sistema foi montado desta forma, portanto não faz sentido que qualquer cidadão que pague o valor não seja ressarcido, só pelo facto de estar num concelho pequeno”, considerou.

Isto num município que, salientou Luís Simão, integra o Sistema Intermunicipal de Valorização e Tratamento de Resíduos Urbanos do Distrito de Évora, e ao nível distrital é dos “concelhos que têm maior índice de recolha ‘per capita’ em termos de reciclagem”.

Partilhar:

Relacionadas

Link copiado!