Por: Diário Digital Castelo Branco
A Cooperativa Pinacoteca e a Associação Raia Gerações, com o apoio da Associação Desportiva, Cultural e Recreativa (ADCR) de Caféde, organizaram este sábado, 28 de Março, uma palestra na sede da ADCR de Caféde, sobre “Camilo Castelo Branco, o Escritor do Romantismo que Escarneu do Realismo (1825-1890)”.
O orador convidado foi o investigador, ensaísta, escritor e filósofo, Paulo Samuel.
Na Mesa esteve o orador e o representante da Cooperativa Pinacoteca e Associação Raia Gerações, Luís Duque-Vieira. Por parte dos Corpos Sociais da ADCR de Caféde, estiveram presentes: Paulo Silva e Cecília Rodrigues, em um evento que estiveram presentes cerca de duas dezenas de pessoas de Caféde, Póvoa de Rio de Moinhos, Alcains, Castelo Branco, São Vicente da Beira, Lisboa e Brasil.
Em 2025 fora proposto um programa ambicioso à BMAS/Câmara Municipal de Castelo Branco para celebrar o Bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco, coincidente com os 120 anos da publicação do livro de Francisco Tavares Proença Júnior, Autobiografia de Camilo Castelo Branco. Infelizmente essa iniciativa não se realizou, registando-se apenas uma evocação de Camilo promovida pela Sociedade dos Amigos do Museu Francisco Tavares Proença Júnior e outra pela Cooperativa Pinacoteca e Associação Raia Gerações. Em todo o caso, o livro de Proença Júnior terá uma nova edição, revista e limpa de erros, lapsos e omissões, que virá a público antes do Verão, pela qual é responsável o investigador e crítico literário Paulo Samuel, também ele editor de Camilo na «Caixotim».
Camilo Castelo Branco, é considerado por muitos estudiosos, bibliófilos e leitores, o maior romancista português, continuando a cativar o interesse de novas gerações.
Inclusivamente, o seu nome volta a ser incluído nas leituras obrigatórias do ensino, o que alargará a sua projeção literária no século XXI. Curiosamente Camilo utilizou em folhetos e livrinhos de crítica social vários e engraçados pseudónimos. Raramente alterava os textos nem fazia muitas alterações de estilo após a entrega dos seus manuscritos para publicação.
Camilo foi um escritor notável, um polígrafo que escreveu mais de 200 obras, parte delas publicadas no Porto pela Viúva Moré, Civilização, Ernesto Chandron eoutros. O Escritor teve uma vida atribulada, em muitos pontos dramática (“o torturado de Seide”) e torou-se um profissional das Letras, vivendo dos recursos da sua escrita, para fazer face às suas vivências e aos compromissos familiares decorrentes das relações amorosas que teve, desde a jovem Joaquina Pereira de França até ao amor final da sua vida, Ana Plácido.
Desde a adolescência, Camilo teve em Trás-os-Montes, onde residiam familiares, acesso à biblioteca privada do seu tio, que era sacerdote católico, ali tendo oportunidade de ler as grandes obras de escritores clássicos, assim se notabilizando na sua escrita. Antes desses livros colaborou em jornais (eram de mais alargada tiragem e leitura no século XIX), muitas vezes lidos ao povo não instruído em farmácias e botequins.
Os problemas da visão, a situação familiar e, sobretudo, os dramas relacionados com os seus filhos, podem ter levado Camilo Castelo Branco ao suicídio, em 1890, com 65 anos de idade. Muitos são os biógrafos de Camilo Castelo Branco desde o século XIX, até ao presente e Francisco Tavares Proença Júnior está incluído nessa linha biográfica.
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