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Cultura 28 de setembro de 2026

Castelo Branco: O "Toque dos Sinos" tema de palestra em São Vicente da Beira

Por: Diário Digital Castelo Branco

O grupo “Os Amigos dos Enxidos”, a Cooperativa e a Associação Raia Gerações organizaram uma palestra sobre o “Toque dos Sinos”, este domingo, 27 de setembro, um evento que contou com o apoio da Junta de Freguesia de São Vicente da Beira. 

Os oradores convidados foram o dinamizador cultural e vicentino Pedro Inácio e o escocês, investigador, músico e compositor Tom Hamilton. 

Antes do início da palestra, Pedro Inácio tocou manualmente os sinos da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, realizando três sessões designadas por Toque da Festa, Toque do Baptizado e Toque do Pedro Inácio.

A palestra decorreu nas instalações da Junta de Freguesia de São Vicente da Beira e reuniu muitas pessoas, sala cheia, contando com a presença especial do historiador João Miguel Teodoro e do poeta José Bernardino.

O evento teve como principais protagonistas os oradores, o Presidente da Junta de Freguesia de São Vicente da Beira, João Filipe Goulão, a Secretária da Junta, Margarida Duarte, e José Teodoro Prata, responsável do grupo Os Amigos dos Enxidos, que esteve acompanhado por Maria Libânia Ferreira, uma das organizadoras.

Marcaram também presença o Presidente da Cooperativa Pinacoteca, José Barata de Castilho, Professor Catedrático e Grande Oficial da Instrução Pública, e o representante da Associação Gerações, Luís Duque-Vieira.

Pedro Inácio iniciou a sua actividade de tocador de sinos com apenas oito anos de idade, tendo como mestre o Ti Zé Água, que lhe transmitiu esta arte ancestral e manual com mais de trezentos anos de história. Ao longo do seu percurso, a actividade do Toque dos Sinos promovida pela Associação GEGA chegou a ser transmitida pela RTP em 2014, e, nos anos de 2022 e 2023, Pedro Inácio participou no evento dedicado a esta tradição em Castelo Branco, juntamente com Tom Hamilton.

Na sua intervenção, o orador destacou três sinos específicos da torre, nomeadamente o Sino Um, datado de 1619 e que terá vindo do Convento de Mafra, o Sino Dois, de 1755 e com provável origem na actual Itália, e o Sino Três, fundido em 1857 por Francisco de Oliveira.

Explicou ainda os diferentes significados dos toques , como o da Ave Maria, tocado de manhã para iniciar o trabalho no campo, ao meio-dia para o almoço e ao final da tarde para o descanso. Mencionou também o toque da Missa, que chama os fiéis para a Eucaristia, o do Baptizado, que anuncia essa celebração, o da Festa, associado à Procissão de Domingo de Páscoa, e o de Falecimento, diferenciado por três toques para homens e dois para mulheres.

Por fim, referiu o toque de Finados, executado no término da missa e durante o cortejo fúnebre, e o de Arrebate, utilizado em caso de incêndio ou, historicamente, quando a população protestou contra o encerramento da Escola Básica da vila.

Por sua vez, Tom Hamilton partilhou que, durante os seus passeios pelas localidades e campos da Beira Baixa, descobriu que ainda sobreviviam tocadores de sinos. Sendo esta uma arte em vias de extinção, o investigador propôs-se a fazer recolhas e a preservá-la a memória colectiva das gentes da região, valorizando o enorme esforço físico que estes homens faziam para aceder às torres e tocar os sinos, independentemente das condições meteorológicas.

Tom Hamilton, que coordenou o evento do Toque dos Sinos em Castelo Branco nos anos de 2022 e 2023, realizou recolhas nos concelhos do distrito de Castelo Branco e também no concelho do Sabugal. Relembrou que o sino se fixou como um importante meio de comunicação em Portugal a partir do século XIII, mantendo a sua força até meados do século XX.

Oinvestigador aproveitou ainda a ocasião para mencionar os trabalhos de recolha que tem desenvolvido na Beira Baixa noutras áreas, designadamente sobre petrologia, a água das fontes e os povos da Antiguidade. Também referiu o toque do búzio que se usava para acordar o pessoal da azeitona às cinco horas da manhã e que foram encontrados búzios preparados para esse efeito há dezoito mil anos, apenas na Beira Baixa permaneceu essa prática.

Após o encerramento da palestra, a organização ofereceu um lanche a toda a comunidade presente. O evento terminou com um concerto musical na Taverna do Ti Valérico, onde actuaram Tom Hamilton, Leonor Dias e Andrea Calland, que presentearam o público com uma selecção de temas da música portuguesa e gaélica.

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