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Cultura 20 de setembro de 2026

Um espaço artístico com linhas, mas sem amarras no Fundão

Por: Diário Digital Castelo Branco

A Beira Interior tem orgulho da sua história na produção de lanifícios. Centenas de fábricas produziram, e ainda produzem, os mais diversos fios que saíam de mãos beirãs para o restante do mundo. Nesta terra onde os lanifícios fizeram pulsar a comunidade, os fios ganham uma nova alma ao transformar-se em arte contemporânea nas paredes da galeria e loja arte.ria.

Localizada na Avenida da Liberdade, não por acaso, a arte.ria propõe-se a ser um sítio aberto à pluralidade criativa, sem barreiras, como explica Glaucio Pereira, idealizador do projeto: “Quando pensamos nesta galeria, pensamos em diversidade. Sendo uma “arte.ria”, este espaço nunca se poderia limitar a um único formato”.

O próprio nome provoca através de uma brincadeira com o sufixo “-aria”, que significa, justamente, um lugar onde se produz ou vende algo. Se na padaria se faz pão, na arte.ria se faz arte. Aqui vai encontrar artes como a pintura, a escultura, a gravura, a fotografia, o artesanato, a giclée de arte virtual, o design, a multimédia e outras manifestações visuais e concetuais que partilham o mesmo fluxo.

A galeria abre as portas com duas exposições do artista luso-brasileiro Glacz, licenciado em Design de Comunicação, que trabalha há 30 anos com pintura, escultura e ilustração digital. A mostra formada pelas coleções “Selfie, Linhas da Face” e “4 Faces”, ergue-se como um tributo vivo à identidade e ao génio português.

Personalidades como a fadista de raízes beirãs Amália Rodrigues, o escritor das inquietações José Saramago, são algumas das pessoas retratadas em acrílico, lãs de croché sobre MDF da série “Selfie, Linhas da Face”. Os fios das indústrias agora formam os contornos, volumes e expressões das caras.

Na coleção “4 Faces”, Glacz utiliza a sublimação sobre azulejo, porque a portugalidade também está nos pormenores do material escolhido. A coleção, assim como a anterior, criada durante a pandemia de Covid-19, reflete sobre a condição humana da época: cada um no seu “quadrado” a vislumbrar versões de si mesmo. Desdobra-se da “Selfie, Linhas da Face”, mas o artista explora novas composições e perspetivas reunidas em giclées originais de ilustrações digitais aplicadas sobre azulejo, tela e papel.

A inauguração oficial da arte.ria acontece no próximo dia 3 de outubro, entre as 16h e as 18h, na Avenida da Liberdade, n.º 82, no Fundão. Com a presença do artista Glacz, a tarde será marcada por uma conversa informal e um Porto de honra, abrindo as portas a toda a comunidade.

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