Por: Diário Digital Castelo Branco
A Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte da Extremadura e Beira Baixa manifesta “frustração e desagrado” com o resultado da reunião entre a Junta da Extremadura e o Ministério das Infraestruturas de Portugal sobre a ligação transfronteiriça com Espanha.
Em comunicado enviado à redação do Diário Digital Castelo Branco, a ATE considera inaceitável a ausência de compromissos concretos e de uma folha de rota clara para a próxima Cimeira Hispano-Portuguesa”, vincou.
Após a reunião de Lisboa, na quarta-feira, a Junta da Extremadura anunciou, na sua página na Internet, que o Governo português havia manifestado a sua disponibilidade para avançar com um acordo bilateral para a construção da ponte internacional sobre o rio Erges, junto às Termas de Monfortinho, Idanha-a-Nova (distrito de Castelo Branco), e com a ligação transfronteiriça com Espanha.
“O Governo português demonstrou a sua disposição para avançar com o acordo bilateral com a Espanha para a construção da futura ponte internacional sobre o rio Erges na próxima Cimeira Luso-Espanhola”, anunciou.
Na terça-feira, a ATE tinha exigido compromissos concretos e calendários vinculativos para o início das obras da ligação transfronteiriça com Espanha e defendeu o estabelecimento de prioridades, nomeadamente o arranque imediato do primeiro lanço de obras, nos troços entre Moraleja e Cilleros (lado espanhol, EX-A1), e entre Alcains e a vila de Idanha-a-Nova (lado português, IC31).
“De acordo com a informação que nos chegou relativa à reunião entre a Junta da Extremadura e o Ministério das Infraestruturas e da Habitação, a ATE e a Aliança Ibérica manifestam o seu profundo desagrado com o resultado da reunião realizada em Lisboa entre a Junta da Extremadura e o Ministério das Infraestruturas de Portugal, esta quarta-feira, em Lisboa”.
No documento, afirmam que a província de Cáceres e a Extremadura espanhola, a Beira Baixa e o Alto Alentejo não podem continuar isoladas.
“O resultado desta reunião [em Lisboa] representa um duro golpe na mobilidade, na competitividade empresarial, no emprego, no turismo ibérico e no combate ao despovoamento dos territórios do interior”, frisou a organização.
A ATE reafirma que não parará "até ouvir o barulho das máquinas" e vai manter a sua agenda de diálogo e pressão política.
Neste âmbito, anunciou que a sua comissão permanente vai reunir no dia 16, no distrito de Castelo Branco, para definir as próximas ações.
A organização apela à presidente da Junta da Extremadura, María Guardiola, e ao primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, para que assumam a liderança política e garantam nos orçamentos de 2027 o início dos dois primeiros troços, entre Moraleja a Cilleros (Espanha) e de Alcains a Proença-a-Velha (Portugal).
Exigem aos ministros espanhóis dos Negócios Estrangeiros e dos Transportes “máxima rapidez na tramitação do Acordo Internacional para a ponte sobre o rio Erges, bem como uma reunião urgente nas próximas semanas com a Junta da Extremadura para assegurar a conclusão da ligação até ao final de 2029”.
Por último, a Aliança Ibérica rejeita o regresso da possibilidade de portagens no troço português e exige que a obra na Extremadura espanhola “seja financiada com fundos próprios e recurso a crédito, à semelhança do que foi feito noutras infraestruturas regionais”.
A ATE estima que a falta de acessibilidades modernas faz o interior perder cerca de um milhão de turistas por ano.
O objetivo da Aliança é concluir os 72 quilómetros em falta até ao final de 2029, antecipando o Mundial de Futebol de 2030.