Por: Diário Digital Castelo Branco
O Salva a Terra Ecofestival 2026 tem início já na próxima quinta-feira, unindo música, arte, ecologia e sustentabilidade num festival de quatro dias dedicado ao património cultural, ao diálogo intercultural e à consciência ambiental.
Coorganizado pelo Município de Idanha-a-Nova (Cidade Criativa UNESCO na Música), pela União das Freguesias de Monfortinho e Salvaterra do Extremo e pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, com o apoio da ARI Geografia Criativa – Festival da Paisagem 2026 [Naturtejo], este evento destaca-se como o festival mais ecológico de Portugal.
Um Mosaico de Sons e Culturas
O festival transforma Salvaterra do Extremo num palco vibrante de músicas do mundo, com artistas provenientes de Portugal, Espanha, Finlândia, Geórgia, Irão, Marrocos, Índia e outros países. Cinco palcos — Terra, Pelourinho, Igreja, Misericórdia e Lusco-Fusco — acolhem uma programação que inclui Sussurros do Levante, um trio que explora repertórios tradicionais ibéricos com sanfona, viola braguesa e adufe; emmy Curl: Vencedora do Prémio José Afonso 2025 pelo álbum “Pastoral”; e Bandua & Idalina Gameiro, um projeto que funde música eletrónica e tradição oral portuguesa, que se apresentam no dia 25, a partir das 21h00.
No dia 26, é possível assistir aos concertos de Sitar Jugalbandi, com Pandit Abhishek Adhikary e Murchana Adhikary Barthakur acompanhados por Ibram Kashi (IN), com uma apresentação centrada na tradição clássica do sitar e da tabla; Bruno Teixeira, com um concerto meditativo (PT); Didgori Ensemble (GE), representando a polifonia georgiana, Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO (GE). Numa parceria com o Kaustinen Folk Festival (FI), chegam os violinistas Erkki Virkkala & Iikka Huntus e o bailarino e músico Viljami Timonen; a portuguesa Bia Maria, que combina sons com origem no fado, na pop, na bossa nova e no canto popular (PT); Balklavalhau, um grupo do Porto que resgata repertórios balcânicos e mediterrânicos (PT), e, a fechar a noite, Rádio Barraka DJ, com ritmos do Brasil às Caraíbas, de África à América Latina (PT).
No dia seguinte, sábado, as razões para voltar são muitas. Haverá uma segunda apresentação da dupla indiana Sitar Julgalbandi; Rumi & Shams, liderado por Mostafa Taleb, apresentam música clássica persa (IR); The Digital Dimension of the Network of UNESCO Cultural Spaces (DigitICH), um showcase que traz sonoridades da Letónia, Estónia, Finlândia, Geórgia, Itália, Croácia, Macedónia e Eslováquia; “Cabra”, grupo de Espanha que reúne sons do Mediterrâneo e Ibéria, com Efrén López, Isabel Martín, Carlos Ramírez y Juanfran Ballestero; Ana Pinhal, que leva o fado para o festival; Curcumbia, com ritmos latino-americanos inspirados na cumbia; e, a fechar a noite, há Soundsisters Morocco, um coletivo de mulheres DJ com uma abordagem contemporânea às harmonias vocais marroquinas e ritmos gnawa.
O encerramento acontece no domingo, dia 28, com MariaSilva, um projeto que revisita a música tradicional portuguesa; e, finalmente, a fechar o festival há “Sons da Terra e da Tradição”, um espetáculo criado pelo Orfeão de Leiria em colaboração com as Adufeiras de Idanha-a-Nova, com quem se apresentam em palco.
O programa musical também promove conversas e oficinas, que acontecem de sexta a domingo, e que se manifestam através da música, do baile e da música eletrónica.
Ecologia e Sustentabilidade: O Coração do Festival
O Salva a Terra Ecofestival 2026 reforça o seu compromisso com a ecologia, a sustentabilidade e a educação ambiental, integrando uma programação paralela inteiramente dedicada ao ambiente e à conservação da natureza. Organizada pela Quercus, esta vertente do festival tem como objetivo sensibilizar todas as faixas etárias para a importância da proteção da fauna, da flora e dos ecossistemas, ao mesmo tempo que promove ações práticas e reflexão crítica.
As atividades ambientais decorrem ao longo de três dos quatro dias do festival (26, 27 e 28 de junho) e combinam conversas, oficinas, caminhadas, jogos pedagógicos e exposições, com enfoque em sustentabilidade, conservação da biodiversidade e participação cívica.
Na sexta-feira, 26 de junho, as atividades começam logo às 08h00, com a caminhada “Observação da Avifauna”, seguindo-se uma sessão de ioga, que se repete sempre de manhã no sábado e no domingo. Há ainda duas oficinas – “Produtos Ecológicos para o dia a dia”, às 10h30; e o jogo pedagógico “Os Polinizadores”, às 16h00, entre outras atividades.
No dia seguinte, dia 27, o foco vai estar nas oficinas. De manhã, a partir das 10h30, até às 17h00, há oficinas para aprender a criar tintas com bugalhos; para identificar e valorizar plantas comestíveis e os seus benefícios; para ensinar a construir abrigos para insetos polinizadores, essenciais para a biodiversidade. Mas há também uma conversa, “Deservar sem Envenenar: pelo abandono dos herbicidas”, sobre alternativas ao uso de herbicidas na gestão e limpeza de espaços públicos.
No domingo, último dia do festival, o dia começa cedo, às 08h00, com uma caminhada: “Segredos dos Ecossistemas”, para descobrir a riqueza dos ecossistemas locais e a sua interligação. Há ainda duas oficinas – “Impressão Botânica”, às 10h00; e “A Bolota na Cozinha”, às 15h00; e “Farmácia Natural de Primavera/Verão”, às 17h00 –, e conversas, “Ecos da Paisagem: relações entre a natureza e o homem” e “Quem salva a terra do extremo?”, às 10h00 e 16h30, respetivamente.
Além destas, as iniciativas ambientais incluem também uma banca da Quercus, com divulgação da missão da associação e formas de participação ambiental (consultas públicas, denúncias, mobilização comunitária; uma banca da CERAS - Centro e Estudo de Recuperação de Animais Selvagens, de Castelo Branco, onde o público é sensibilizado sobre o trabalho de reabilitação de animais selvagens e a importância da proteção da vida selvagem. Estas atividades acolhem ainda duas exposições artísticas: “Plantas da Cidade”: Em colaboração com a Urban Sketchers, uma mostra sobre a flora urbana; e uma exposição da responsabilidade da CERAS, dedicada à conservação da fauna e aos animais reabilitados no centro. As verbas obtidas durante o Salva a Terra Ecofestival revertem a favor do CERAS.
Impacto e Legado
O Salva a Terra Ecofestival 2026 não se limita a ser um evento cultural, é um movimento de educação ambiental e ação coletiva. Através do seu programa de mediação, o festival inspira os participantes a adotarem hábitos sustentáveis, apoia a conservação da biodiversidade e reforça o papel da comunidade na proteção do planeta. Ao aliar música e ecologia, cria um modelo único de festival responsável e transformador.
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