Por: Diário Digital Castelo Branco
A Cooperativa Pinacoteca e a Associação Raia Gerações organizaram uma palestra no dia 20 de Junho de 2026, na Capela do Espírito Santo, na aldeia de Rosmaninhal, numa tarde de muito calor. A temática foi “São João Baptista e as Guerras da Restauração”.
Os oradores convidados foram os investigadores, escritores e historiadores Maria Adelaide Neto Salvado, Mário Chambino e Pedro Rego da Silva.
Na Mesa estiveram presentes os oradores, a Presidente da Junta de Freguesia de Rosmaninhal, Piedade Gonçalves, o Presidente da Associação Raia Gerações, Carlos Branco Gomes, e o representante da Cooperativa Pinacoteca, Luís Duque-Vieira.
Maria Adelaide Neto Salvado referiu-se à festividade única de São João Baptista, notando que é o único Santo cuja festa litúrgica está relacionada com o nascimento (24 de Junho). Lembrou que São João Baptista é mencionado na Bíblia, no Evangelho Segundo São Lucas, e, curiosamente, é também referido no livro sagrado do Alcorão. Apontou que várias figuras da História Universal estão relacionadas com São João Baptista (primo em 3º grau de Jesus de Nazaré), tais como São Bernardo de Claraval, Eusébio de Cesareia, Vicente Espinel, Lope de Vega, o Imperador Constantino e o Rei Alarico II. Abordou ainda o culto ancestral e pagão de adoração ao Sol (a grande divindade) relacionado com as festas joaninas, bem como os rituais antigos dos elementos água e fogo ligados a este Santo.
Mário Chambino destacou as festividades de São João Baptista, sendo o orador natural da aldeia de Rosmaninhal — que outrora foi vila sede de concelho, praça militar de defesa e terra templária. Referiu as origens desta grande festividade, provavelmente iniciada no período medieval, embora a data da construção da Capela do Espírito Santo seja de 1621. Mencionou que, no passado e até ao ano de 1965, a organização estava entregue aos ricos, e que a festa prepara os seus festejos duas semanas antes. Sublinhou a forte presença simbólica militar, onde o protagonista das festividades é o Alferes, acompanhado pelos Padrinhos. A festa conta com o Bodo de almoço e jantar, incluindo uma arruada com procissão religiosa. A Bandeira é o grande símbolo da celebração, sendo erguida e transportada pelo Alferes a cavalo, que será entregue no final da festividade ao Alferes das festas do ano seguinte. As fogueiras e os cavalos têm também uma forte presença simbólica neste evento. Também o tirar o Galo, que terá conectação com os Torneios Medievais.
Pedro Rego da Silva, historiador com fortes raízes no Ladoeiro e em Rosmaninhal, destacou a constante presença militar na outrora vila sede de concelho, onde existiam um castelo e uma muralha defensiva contra os inimigos do Reino de Leão e Castela e, mais tarde, do Reino de Espanha. As gentes de Rosmaninhal e os escassos militares destacados para a praça de defesa fronteiriça do Reino de Portugal participaram activamente na Guerra da Restauração, na Guerra da Sucessão, na Guerra Fantástica e nas Invasões Francesas. Durante a sua comunicação, foi também evidenciado o elevado número de óbitos ocorridos no decorrer da Guerra da Restauração.
Este evento contou com o apoio da Autarquia de Rosmaninhal, destacando-se o trabalho de divulgação cultural da Associação Raia Gerações e da Cooperativa Pinacoteca em terras da Beira Baixa.
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