Por: Diário Digital Castelo Branco
A Beira Interior é uma região onde a geografia define o quotidiano das empresas. Distâncias longas entre concelhos, proximidade à fronteira espanhola, dispersão dos centros produtivos e uma forte componente agrícola e industrial fazem com que a mobilidade não seja um acessório da operação, mas o próprio sistema circulatório. Para um produtor de cereja do Fundão, uma empresa têxtil da Covilhã, um transportador da Sertã ou um técnico que cobre todo o distrito de Castelo Branco, gerir veículos é gerir a margem do negócio.
A discussão pública sobre infraestruturas rodoviárias reflete essa realidade. Posições recentes de movimentos cívicos, como a contestação à construção do IC31, mostram que o tema da conectividade rodoviária permanece sensível, com impacto direto nos custos de quem vive da estrada. Em paralelo, a posição da região no eixo Norte-Sul e próxima da fronteira espanhola continua a atrair operadores logísticos que a reconhecem como ponto de passagem indispensável.
Em qualquer frota, o combustível é a despesa mais visível e, geralmente, a menos controlada. Dados da Confederação Empresarial de Portugal indicam que mais de seis em cada dez empresas industriais e logísticas apontam o aumento dos custos de combustível como o principal fator de erosão das margens. Numa região onde percorrer 80 ou 100 quilómetros diários é normal, e onde o gasóleo em Espanha continua a custar vários cêntimos menos do que em Portugal, o impacto cumulativo é considerável.
A resposta combina três frentes. Primeiro, planear rotas que otimizem quilometragem e tirem partido das redes de postos disponíveis, sobretudo para quem trabalha o eixo ibérico. Segundo, centralizar as compras através de cartões de combustível, que eliminam adiantamentos aos condutores, geram faturação única para efeitos de IVA e produzem relatórios detalhados por matrícula. Soluções como as oferecidas pela Radius permitem este controlo em rede multimarca, ibérica e europeia, numa única plataforma. Terceiro, formar os condutores em condução eficiente, prática que pode reduzir consumos em vários pontos percentuais.
A digitalização da frota é a fronteira seguinte. Plataformas modernas de telemática cruzam localização GPS, consumos, comportamento de condução e planeamento de rotas num único painel, substituindo a gestão por intuição por decisão baseada em dados. O retorno vem do efeito composto: menos quilómetros mortos, menos desgaste prematuro, menos sinistros, menor prémio de seguro.
Para o sector agrícola da região exposto a fenómenos climáticos extremos, como confirmaram os prejuízos recentes na produção da cereja do Fundão , este controlo é ainda mais relevante. Cada euro poupado em mobilidade ajuda a amortecer choques que não dependem do produtor.
A transição energética acrescenta uma camada de oportunidade. Segundo a Associação do Comércio Automóvel de Portugal, em 2025 cerca de 23% dos veículos ligeiros de passageiros matriculados em Portugal eram já elétricos, ultrapassando 26% no último trimestre. Um estudo da EY e da Eurelectric estima poupanças europeias entre 130 e 140 mil milhões de euros em combustível até 2030 com a eletrificação. Em territórios rurais como a Beira Interior, a decisão exige análise do custo total de propriedade e da infraestrutura disponível.
Gerir uma frota nesta região é, antes de tudo, gerir informação. Quem tratar mobilidade como dado, e não como despesa, terá vantagem competitiva mensurável.
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