Por: Diário Digital Castelo Branco
Na sequência da apresentação pública do Relatório de Prestação de Contas de 2025 por parte do Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, a vereadora da coligação SEMPRE por todos (PSD/CDS-PP), Margarida Lourenço Duarte, considera, nas redes sociais, importante “repor equilíbrio e rigor no debate público”, esclarecendo que “a leitura política feita pelo Executivo omite indicadores relevantes que constam do próprio documento oficial”.
A vereadora afirma que o Presidente da Câmara destacou, nas redes sociais, uma “gestão sólida, responsável e orientada para o desenvolvimento”, referindo uma execução orçamental superior a 76%, mais de 23 milhões de euros de investimento e um saldo corrente de 10,5 milhões de euros.
Contudo, Margarida Lourenço Duarte afirma que a análise detalhada do relatório evidencia que nem tudo acompanha o tom triunfalista da comunicação oficial.
Desde logo, em 2025 o Município registou 63,6 milhões de euros de despesa, face a 62,6 milhões de euros de receita, revelando um diferencial negativo superior a 1 milhão de euros. Ou seja, “apesar da narrativa otimista, existem sinais claros de pressão financeira”.
Também ao nível da estrutura interna da autarquia, verifica-se um crescimento continuado. O número de trabalhadores aumentou de 589 para 608 funcionários, mais 19 num só ano. Paralelamente, a despesa com pessoal subiu mais de 1,2 milhões de euros, sendo cerca de 560 mil euros diretamente associados à entrada desses novos trabalhadores.
Para a vereadora da coligação, estes dados demonstram que “não estamos apenas perante atualizações salariais ou ajustamentos normais. Estamos perante opções políticas que aumentam o peso da máquina municipal”.
Outro dado relevante prende-se com a evolução da despesa corrente. Comparando 2025 com 2021, regista-se um aumento de cerca de 45%, o que levanta “legítimas questões sobre a sustentabilidade futura da gestão municipal”.
Por outro lado, parte significativa da subida da receita resulta da venda de terrenos e património, uma fonte extraordinária e não estrutural. Como tal, “nem toda a receita apresentada corresponde a crescimento sustentado ou recorrente”.
O relatório revela ainda uma diminuição da liquidez municipal. Em 31 de dezembro de 2021, a Câmara Municipal dispunha de 44,7 milhões de euros em contas bancárias. No final de 2025, esse valor situava-se em 36,1 milhões de euros, menos cerca de 8,6 milhões de euros em quatro anos.
Simultaneamente, o passivo aumentou em cerca de 3,5 milhões de euros, sinalizando um agravamento das responsabilidades financeiras do Município.
Acresce ainda que, apesar do saldo corrente positivo invocado pelo Executivo, o resultado líquido final do exercício volta a ser negativo, ultrapassando 2,2 milhões de euros.
Para a coligação SEMPRE por todos (PSD/CDS-PP), “é importante distinguir comunicação política de realidade financeira. Uma boa publicação nas redes sociais não substitui a leitura séria dos documentos oficiais”.
A coligação entende que os albicastrenses merecem uma informação completa, transparente e equilibrada sobre o verdadeiro estado das contas públicas.
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