Idanha-a-Nova: Câmara Municipal dispensa construção da Central Solar Fotovoltaica "Sophia"

O Município de Idanha-a-Nova emitiu, na 6ªfeira passada, 14 de Novembro, um parecer formalmente desfavorável à implementação da Central Solar Fotovoltaica "Sophia" e respetivas Linhas de Muito Alta Tensão, na sequência da análise técnica realizada no âmbito do processo de Avaliação de Impacte Ambiental realizado pela Agência Portuguesa do Ambiente.

  • Região
  • Publicado: 2025-11-17 23:09
  • Por: Diário Digital Castelo Branco

Este parecer surge, entre muitas outras iniciativas, depois de, no dia 8 de novembro de 2025, o Município de Idanha-a-Nova, que foi o primeiro município a pronunciar-se sobre a matéria, apresentar uma posição pública relativamente à eventual instalação de centrais solares fotovoltaicas. Nessa data, a Câmara Municipal reafirmou o compromisso com a transparência, o diálogo e a participação de todas as partes interessadas nos projetos que visam o desenvolvimento sustentável do concelho.

Todavia, considerou essencial que estes projetos sejam implementados de forma equilibrada, respeitando o ordenamento do território, o ambiente e a qualidade de vida das populações. Por esse motivo, o Município deixou nota pública que não se revia na instalação de mega centrais fotovoltaicas, por não querer abdicar da identidade do concelho nem comprometer o património que o caracteriza.

Posteriormente,

No dia 12 de Novembro de 2025, o Executivo da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova reuniu-se, a seu pedido, com a empresa promotora da Central Fotovoltaica Sophia. A reunião teve como objetivo envolver todo o executivo municipal, incluindo os vereadores da oposição, e as juntas de freguesia na discussão deste projeto.

Na mesma data, e também por iniciativa da Câmara Municipal, a empresa promotora reuniu-se ainda com as Juntas de Freguesia de Medelim, Aldeia de Santa Margarida e Proença-a-Velha, no âmbito do processo de informação e auscultação das populações e autarquias locais.

A decisão do parecer desfavorável fundamenta-se na incompatibilidade do projeto com os valores ambientais, culturais, paisagísticos e socioeconómicos que caracterizam o concelho e que sustentam o seu modelo de desenvolvimento.

 

Em comunicado de imprensa, a Câmara Municipal refere que entre os impactos identificados destacam-se:

• Conversão de centenas de hectares de solos agrícolas, florestais e agroflorestais, inviabilizando atividades produtivas essenciais e comprometendo a resiliência do território.

• Abate previsto de mais de 1.500 sobreiros e azinheiras, espécies protegidas por lei, cuja reposição é incerta e insuficiente face ao seu valor ecológico.

• Afetação significativa da biodiversidade, incluindo espécies com elevado estatuto de conservação, como o abutre-preto, a cegonha-preta e a águia-imperial-ibérica.

• Fragmentação de habitats e corredores ecológicos, com consequências diretas na fauna e na funcionalidade dos ecossistemas.

• Impacto paisagístico severo, com prejuízo para percursos pedestres homologados, turismo de natureza, património arqueológico e para a integridade visual de geossítios classificados do Geopark Naturtejo.

• Contradição com compromissos nacionais e internacionais que distinguem Idanha-a-Nova, nomeadamente UNESCO (Geoparque Mundial, Reserva da Biosfera, Cidade Criativa da Música) e a designação de primeira Bio-Região portuguesa.

O Município sublinha que apoia a transição energética, mas reafirma que esta deve ser realizada com rigor, equilíbrio e respeito pelos territórios e comunidades, privilegiando áreas já artificializadas ou de menor sensibilidade ambiental, conforme recomendado por entidades científicas e pelos princípios europeus de ordenamento e proteção da paisagem.

Assim, o Município de Idanha-a-Nova reafirma a sua posição: o projeto, nos moldes apresentados, não serve o interesse público nem garante a salvaguarda do património natural e cultural que constitui um ativo estratégico do concelho.

Este Parecer Desfavorável ao Projeto Solar de Sophia surge após a realização de reuniões com os Presidentes das Juntas de Freguesia de Medelim, Aldeia de Santa Margarida e Proença-a-Velha, cujos território se encontram abrangidos pelo projeto em causa. Estão também na base desta posição do Município de Idanha-a-Nova a auscultação das posições expressadas individualmente por vários Cidadãos do nosso Concelho, Organizações Não Governamentais, movimentos populares, entre outras instituições.

Reafirmamos que Idanha-a-Nova continuará a defender intransigentemente o seu território, a sua identidade e o bem-estar das suas populações" conclui o documento enviado à comunicação social..

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