Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O abutre preto voltou a reproduzir-se em Portugal com o contributo do projeto de conservação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN) que agora participa num concurso internacional para obter financiamento e poder continuar o trabalho.
O abutre preto voltou a reproduzir-se em Portugal com o contributo do projeto de conservação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN) que agora participa num concurso internacional para obter financiamento e poder continuar o trabalho.
"Em território português teremos entre 10 e 15 casais reprodutores, a grande maioria na zona do Tejo internacional, em Castelo Branco e Idanha-a-Nova, mas ainda assim muito poucos e [esta] continua a ser uma espécie criticamente ameaçada", disse hoje à agência Lusa o coordenador do projeto.
Eduardo Santos, da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), realçou a importância da participação no concurso internacional promovido pela 'European Outdoor Conservation Association' (EOCA - associação europeia para a conservação), em votação online pelo público no site da entidade internacional até 15 de março.
São cinco os projetos de conservação escolhidos para ir a concurso, oriundos de Portugal, Madagáscar, Galápagos, Caraíbas e Itália, e só o vencedor recebe o financiamento de 30 mil euro, por isso a LPN apela ao voto dos portugueses.
O projeto português "Black Vulture Recovery, Southern Portugal" já tinha participado naquela iniciativa em 2015 quando conseguiu o segundo lugar.
O trabalho para a conservação do abutre preto, e a participação na votação, foi o tema escolhido pela LPN para assinalar o Dia Internacional da Vida Selvagem, que hoje se comemora com o lema "O futuro da vida selvagem está nas nossas mãos".
O financiamento "será muito importante para dar continuidade" ao trabalho já realizado, nomeadamente para fornecimento de alimento suplementar aos abutres, monitorização da espécie e observação destas aves, explicou Eduardo Santos.
A conservação do abutre negro teve financiamento do programa LIFE, mas já terminou.
"A manutenção e fornecimento dos campos de alimentação, por ser uma das coisas mais onerosa, está claramente em risco e a necessitar urgentemente de apoio financeiro para continuar, além da monitorização e sensibilização" da população para a importância desta espécie no equilíbrio dos ecossistemas, explicou o coordenador do projeto.
Resultado de uma maior consciencialização e de projetos de conservação, a espécie foi recuperando, primeiro em Espanha, a partir dos anos 80, e em Portugal quando voltou em 2010, depois de uma ausência de 40 anos, mas não ao Alentejo.
Além dos 10 a 12 casais no Tejo Internacional, no ano passado, havia um casal isolado no Douro Internacional e dois casais na zona de Moura, no Alentejo, no entanto a espécie continua a ser criticamente ameaçada.
Atualmente, o escasso alimento é um dos problemas enfrentados pelos abutres pretos pois, depois das alterações das regras comunitárias, os cadáveres de animais, nomeadamente do gado, têm de ser recolhidos do campo e eliminados.
A LPN tem campos de alimentos suplementar para tentar ultrapassar esta situação, a que se juntam o envenenamento, o abate ilegal e a perda de habitat.
"Os níveis de perseguição direta diminuíram, mas o envenenamento continua a ser uma questão muito pertinente e ainda no ano passado morreram abutres pretos envenenados, o que acontece infelizmente com alguma regularidade não só em Portugal, como em Espanha", salientou Eduardo Santos.
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