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Mundo 21 de novembro de 2013

Crises económicas prejudicam as capacidades cognitivas

Por: Diario Digital Castelo Branco/Diario Digital

As crises económicas, como as que estão a atingir muitos países actualmente no mundo, prejudicam as capacidades cognitivas dos cidadãos que sofrem com elas, segundo um estudo publicado esta quinta-feira que relaciona pela primeira vez a recessão com o declínio das capacidades individuais. As crises económicas, como as que estão a atingir muitos países actualmente no mundo, prejudicam as capacidades cognitivas dos cidadãos que sofrem com elas, segundo um estudo publicado esta quinta-feira que relaciona pela primeira vez a recessão com o declínio das capacidades individuais.

«Este estudo é o primeiro que demonstra que as recessões económicas que são vividas em idades críticas da vida - no início ou em meados da vida adulta - enfraquecem as capacidades cognitivas quando se alcança uma idade avançada», segundo o artigo de três investigadores europeus publicado na revista médica BMJ.

Até agora sabia-se que o envolvimento do indivíduo no seu trabalho e um ambiente profissional estimulante permitem-lhe armazenar «reservas cognitivas» que depois mantêm a sua capacidade intelectual em forma quando chega a hora da reforma.

Mas neste estudo os cientistas também descobriram que se uma pessoa experimenta na sua vida adulta períodos de recessão económica com todas as suas consequências - desemprego, queda do nível social e profissional, perda de rendimentos, etc – a sua capacidade intelectual diminui quando chega a uma idade avançada.

As pesquisas, dirigidas por Anja Leist da Universidade de Luxemburgo e Philipp Hessel e Mauricio Avendano da London School of Economics (LSE), baseiam-se em dados recolhidos num grande estudo epidemiológico chamado Share realizado com 12.000 pessoas em 11 países durante os anos 2000.


A capacidade intelectual foi avaliada em pessoas de 50 a 74 anos utilizando testes clássicos, como enumerar o máximo possível de animais num minuto, lembrar uma lista de dez palavras, dizer a data ou fazer cálculos mentais.

Os resultados foram comparados com as carreiras profissionais destas pessoas, levando-se em conta as demissões, os períodos sem trabalho, as mudanças frequentes de empresa ou os períodos de recessão nos seus países de residência.

Os resultados demonstram que os homens que não passaram por nenhum período de dificuldades económicas quando tinham entre 40 e 50 anos alcançaram resultados muito melhores nos testes que os que viveram quatro ou mais períodos de crise económica.

«Os nossos resultados são a prova de que as recessões económicas vividas durante o período vulnerável, a partir dos 40 anos, estão relacionadas com uma diminuição da função cognitiva mais adiante», explicam os investigadores.

Para as mulheres, os resultados são um pouco diferentes: o período mais vulnerável começa antes, entre os 25 e 34 anos, enquanto a fase mais delicada para os homens é entre os 45 e os 49 anos.

As mulheres que foram demitidas ou tiveram que trabalhar em tempo parcial entre os 25 e os 34 anos «têm capacidades cognitivas significativamente menores quando são mais velhas», indicam os pesquisadores.

Estes resultados «sugerem que os homens são mais sensíveis aos choques macroeconómicos quando são afectados mais tarde na sua carreira profissional, enquanto nas mulheres as crises têm um efeito duradouro nas suas capacidades cognitivas quando ocorrem antes», afirmam os cientistas.

Este facto pode explicar porque as mulheres jovens têm mais problemas que os homens jovens para reactivar a sua carreira profissional em períodos de crise económica.

Para os homens, perder o trabalho numa idade avançada significa com frequência uma reforma antecipada e involuntária, que fecha repentinamente as portas de um ambiente intelectualmente estimulante, conclui o estudo.

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