Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Ermelinda Ramalho, uma das pessoas feridas no acidente do autocarro na Sertã, relatou que o despiste ocorreu “de uma forma rápida”, indicando que o veículo era “antigo” e não tinha cintos de segurança.
Ermelinda Ramalho, uma das pessoas feridas no acidente do autocarro na Sertã, relatou que o despiste ocorreu “de uma forma rápida”, indicando que o veículo era “antigo” e não tinha cintos de segurança.
Em declarações aos jornalistas, no Hospital de Portalegre, para onde alguns feridos foram levados, Ermelinda Ramalho explicou que o motorista “tentou desviar-se” da água que se encontrava na estrada, o IC8 (itinerário complementar).
Após esse momento, descreveu, os ocupantes mão ouviram “mais nada” a não ser o autocarro a “bater no ‘rails’ [separadores]” da estrada, dando “não sei quantas voltas” até cair no fundo de uma ravina.
A mulher, que recebeu esta noite alta no Hospital de Portalegre, acrescentou que após a queda do autocarro na ravina as pessoas “saltaram pelas janelas e partiram os vidros do autocarro”, deparando-se depois com “mortos no chão e pessoas partidas”.
“Estava a chover muito, o autocarro deu um solavanco antes de bater nos ‘rails’, deu a sensação que tinha passado por cima de alguma coisa e depois não houve tempo para mais nada”, relatou.
Maria Teresa Zangarilho, outra excursionista - que ao início da noite foi transferida para o Hospital de São José, em Lisboa, para observação em neurocirurgia -, relatou aos jornalistas que só se apercebeu do acidente quando o autocarro começou a “andar às voltas”.
“Eu caí lá em baixo nas silvas, fiquei com a cabeça debaixo do autocarro, uma pessoa ficou em cima de mim e eu fiquei muito aflita. Um senhor que saiu ileso do acidente foi quem me desprendeu”, relatou.
Dez das 11 vítimas mortais do acidente eram residentes no concelho de Portalegre e uma no concelho de Monforte, na freguesia de Assumar, segundo a presidente do município de Portalegre.
Adelaide Teixeira, que falou hoje em conferência de imprensa, acrescentou que entre as vítimas mortais, entre os 40 e 65 anos, havia três casais.
A autarca de Portalegre anunciou que as autópsias aos cadáveres, todos eles na morgue do Hospital de Castelo Branco, vão ocorrer esta segunda-feira a partir das 06:00.
A Câmara Municipal de Portalegre vai decretar luto municipal nos próximos dois dias.
O acidente vitimou um total de 44 pessoas, quatro do concelho de Monforte, três do concelho de Marvão, duas do concelho de Arronches, uma do concelho de Castelo de Vide e as outras 34 do concelho de Portalegre.
Entre os feridos, 22 são considerados ligeiros.
O acidente aconteceu pouco depois das 08:00 e às 11:00 já todos os passageiros tinham sido transferidos para vários hospitais.
Os passageiros do autocarro tinham saído de manhã de Portalegre em direção a São Paio de Oleiros (Santa Maria da Feira), numa excursão com o objetivo de visitar uma exposição denominada “O maior presépio do mundo”.
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