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Economia 26 de junho de 2026

Fileira do pinho quer valorizar o pinheiro-bravo para competir com norte e centro da Europa

Por: Diário Digital Castelo Branco

Investir na classificação de peças de pinheiro-bravo é a aposta da fileira do pinho para aumentar o valor acrescentado da madeira nacional e competir com o produto hoje importado do centro e norte da Europa, assume a Centro Pinus.

A associação para a valorização da floresta de pinho promoveu hoje à tarde uma visita a uma serração de Monte Redondo, no concelho de Leiria, para mostrar o processo de valorização da madeira de pinheiro-bravo para construção, desenvolvido pelo SerQ - Centro de Inovação e Competência da Floresta.

Segundo o coordenador-técnico da Centro Pinus, Pedro Teixeira, a serração Pedrosa e Irmãos é a única da região que tem incorporada a tecnologia desenvolvida pela SerQ, laboratório da Sertã, no distrito de Castelo Branco, no âmbito do projeto +Pinho.

“Aqui é feita uma seleção na linha de montagem, classificando estruturalmente as peças [de madeira] como de categoria superior, intermédia ou baixa e encaminhando essas peças até ao cliente final”, explicou o coordenador técnico à agência Lusa. 

O processo de avaliação contribui para “aumentar o valor acrescentado deste recurso florestal e potenciar novas oportunidades de mercado”, tanto interno como para exportação.

A crise na habitação e a procura por novas soluções construtivas faz com que, “em Portugal, a construção em madeira seja cada vez mais um mercado emergente, com muita indústria a formar-se para construção de casas, em madeira estrutural”.

Contudo, sem oferta de matéria-prima valorizada nas transformadoras nacionais, “as empresas que fazem projetos em madeira estão a abastecer-se lá fora, no centro e norte da Europa, onde há esta madeira classificada”, necessária às estruturas construtivas.

Através do projeto +Pinho, de que faz parte o Centro Pinus, a SerQ e ainda a Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMP) e a associação florestal Forestis, a intenção é “mostrar às empresas e serrações que esta tecnologia de classificação existe e que há mercado para ela”.

Pedro Teixeira sublinha que o pinheiro-bravo nacional “tem a mesma qualidade potencial do que as resinosas do norte da Europa”, mas “é preciso qualificá-lo para a construção”.

O responsável da Centro Pinus notou que as indústrias nacionais importam madeira da Europa “a quatro ou cinco vezes o valor do que aqui pagam pela madeira normal”.

“Por esta madeira qualificada nacional, podem não pagar quatro ou cinco vezes mais. Se pagarem duas ou três vezes já é um ganho que fica cá no país”, exemplificou.

“É fundamental ganhar valor e ter produtos com valor acrescentado que competem com os melhores do resto da Europa”, resumiu.

O projeto prevê reflexos diversos na fileira do pinho.

“Usar madeira num produto de valor acrescentado muito elevado vai gerar ganhos em toda a cadeia, até ao produtor florestal - que é quem tem o trabalho a cuidar da floresta”.

Com quase 250 serrações que existem no país, que empregam cerca de 50 mil pessoas, "o potencial é enorme”, não só “nos benefícios para toda a economia nacional”, como na “garantia desses empregos”.

A par disso haverá também “um maior interesse na gestão da floresta”, reduzindo o abandono que “gera os riscos todos que levam aos incêndios”, concluiu Pedro Teixeira.

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