Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Depois de dois meses de protestos, inicialmente pacíficos mas depois com incidentes violentos e vários encontros para negociações, mas sem quaisquer resultados, o exército neutralizou em algumas horas a "zona vermelha" e forçou o movimento a renunciar aos protestos.
O exército enviou blindados e centenas de soldados no início da manhã para o vasto acampamento, montado num bairro turístico e comercial no centro da capital, depois de ter aberto uma brecha numa barricada envolvente.
Quatro civis e um jornalista italiano morreram durante o ataque, informou a polícia. Pelo menos um outro jornalista, holandês, ficou ferido, mas aparentemente sem gravidade.
Combates também foram registados durante parte da manhã no grande parque Lumpini, um local de passeio dos tailandeses e de turistas estrangeiros.
Os líderes dos manifestantes anunciaram pouco depois das 13:00 locais (7:00 em Lisboa) que se iam render às autoridades.
"Eu e os meus companheiros vamos render-nos à polícia. Eu sei que vós sofreis. Alguns de vós estão sem voz. Mas nós não queremos mais mortes", declarou Jatuporn Prompan a chorar.
Pelo menos um líder está em fuga, mas os outros entregaram-se à polícia nacional tailandesa.
A polícia de Banguecoque "destacou 1000 membros da força de intervenção rápida e se (os manifestantes) forem vistos a pilhar, pôr fogo ou provocar conflitos, a polícia está autorizada a disparar imediatamente", indicou o general Piya Uthayo, porta-voz do exército pouco antes da rendição.
O recolher obrigatório é imposto hoje à noite na capital tailandesa.
Cerca de 2000 manifestantes incendiaram o edifício do governo provincial de Udon Thani, no nordeste do país, afirmou um porta-voz daquele governo regional.
"A situação está sob controlo, os soldados conseguiram dispersar" os manifestantes, adiantou o porta-voz.
A tensão continuava em Banguecoque nos minutos que se seguiram ao fim do assalto, com vários incidentes violentos e explosões. Um terceiro jornalista, um canadiano, e quatro soldados ficaram gravemente feridos devido a um ataque com granada, refere a France Presse.
Pouco depois dos discursos finais dos líderes dos protestos, o acampamento ficou deserto.
As autoridades excluíram ao fim da noite de terça feira quaisquer perspetivas de retomada de negociações mediadas por senadores com os "camisas vermelhas".
As últimas negociações foram suspensas na última quinta feira, quando o primeiro ministro, Abhisit Vejjajiva, anulou a proposta, feita dez dias antes, de organizar eleições antecipadas em meados de novembro, exasperado pelas exigências incessantes dos "vermelhos".
Trinta e nove pessoas morreram e 300 ficaram feridas entre a noite de quinta feira e segunda feira.
Desde o início da crise, em meados de março, pelo menos 68 pessoas morreram e cerca de 1700 ficaram feridas, não contando com as vítimas do assalto final do exército.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet