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Região 25 de outubro de 2012

Alunos de Castelo Branco continuam histórias de escritores que foram à sua escola

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

Setenta alunos da Escola Faria de Vasconcelos, em Castelo Branco, receberam ontem as escritoras Carla Maia de Almeida e Patrícia Reis e a ilustradora Danuta Wojciechowska, com desenhos das respetivas personagens, textos continuando as suas histórias e muitas perguntas.

Setenta alunos da Escola Faria de Vasconcelos, em Castelo Branco, receberam ontem as escritoras Carla Maia de Almeida e Patrícia Reis e a ilustradora Danuta Wojciechowska, com desenhos das respetivas personagens, textos continuando as suas histórias e muitas perguntas.

“Como é que começaram a escrever e a ilustrar?”, “Mais ou menos quanto tempo é que demoram a fazer um livro?” e “Como vos surge o início de uma história?” foram algumas das questões colocadas pelos alunos, com idades entre os oito e os onze anos, ao longo de uma sessão de quase duas horas, realizada ontem à tarde, numa sala da escola albicastrense, no âmbito do 1.º Festival Literário de Castelo Branco.

Danuta Wojciechowska contou uma história resumida da ilustração através da projeção de imagens, começando pelos desenhos rupestres e terminando na atualidade, com a descrição do seu processo de trabalho e de como entende a ilustração como uma forma de diálogo – não só com o autor do texto do livro, mas também com o leitor.

Mostrou às crianças uma das histórias preferidas que ilustrou, “O Gato e o Escuro”, do escritor moçambicano Mia Couto, e explicou, dando como exemplo o protagonista do livro, que “o pensamento também se pode ilustrar” e que a ilustração não tem limites.

“Os gatos não têm asas, mas eu desenhei-lhe umas asas, porque tenho essa liberdade, chama-se ficção, é um ato ficcional”, sublinhou.

Outra coisa importante no desenho, prosseguiu, “é como funciona a nossa memória, porque quando estamos a desenhar, estamos a recordar o que já observámos”, referiu, enquanto mostrava fotografias de crianças de olhos vendados que desenhavam gatos.

Por sua vez, Carla Maia de Almeida começou por defender que, “às vezes, as coisas que custam um bocado a fazer são aquelas que nós temos de enfrentar”, referindo-se a uma das suas experiências de leitura que não lhe deixou boa memória, “O Romance da Raposa”, de Aquilino Ribeiro.

Foi o pai quem lhe o comprou e lhe disse que não haveria mais livros enquanto aquele não estivesse lido.

Sob essa ameaça, a escritora de livros para crianças leu-o o mais rapidamente que pôde, “para o despachar”, mas confessa: “Não percebi nada e ainda hoje não gosto dele”.

Anos mais tarde, também por obrigação, leu um outro livro, bastante mais extenso, “Os Maias”, de Eça de Queirós, e adorou.

“Li-o em três dias, porque a história era muito emocionante”, observou, perante as exclamações de espanto dos miúdos, para mostrar como se tinha formado como leitora.

Depois, mostrando um folheto com desenhos feitos por Danuta em 1997, perguntou aos alunos “Que tipo de leitor és?” e começou a enumerar os vários tipos existentes, explicando que não é preciso ser-se só um, é possível ser-se vários: há leitores aventureiros, rebeldes, pensativos, que gostam de animais, que gostam de poesia, etc..

“Eu sou escritora porque não quero ser só a Carla Maia de Almeida, posso também ser uma rainha que tem um vestido com a gola à Luís de Camões, ou posso ser um gato vadio cor de laranja, ou posso ser uma casa”, explicou, folheando as páginas dos seus livros e mostrando-as aos alunos.

Patrícia Reis contou que viveu com os tios-avós e que não havia muitos livros lá em casa, lançando a pergunta para a sala “Quem é que aqui tem os avós em casa?”.

Algumas crianças levantaram o braço e ela passou a explicar: “Eu gosto muito de pessoas velhas. E li em voz alta para a minha tia Francisca, entre os sete e os 14 anos, o que foi um privilégio”.

“Todo o Eça, todo o Camilo e também romances de cordel, que estavam escondidos num baú, onde ela ia buscá-los quando o meu tio – que era uma pessoa muito séria – saía. Era um segredo só nosso”, relatou.

Para a escritora, “os livros têm um som, quando se lê um livro alto, aprende-se sempre alguma coisa”.

“Comecei a escrever histórias muito cedo, porque não havia histórias suficientes que me interessassem. E nunca quis ser outra coisa que não escritora. Enquanto tivermos um livro na mão, nunca estaremos sozinhos. E mesmo que não tenhamos um tostão, podemos sempre viajar lendo”, concluiu.

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