Por: Diário Digital Castelo Branco
O Município de Castelo Branco tem acompanhado com total atenção e preocupação os relatos de maus odores sentidos na zona da Quinta das Violetas e Granja Park, situação que, ao longo dos anos, tem motivado diversas reclamações e contactos por parte dos munícipes.
Em nota de imprensa, o Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal refere que, "após o acompanhamento efetuado pelos serviços competentes e pelos Serviços Municipalizados de Castelo Branco, foi possível identificar que os episódios de odores reportados se encontram associados à área envolvente da Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais (ETARI) da Schreiber Foods Portugal, S.A., local onde se encontra igualmente a antiga Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) Sul, infraestrutura que foi desativada em 2013 com a entrada em funcionamento da atual ETAR de Castelo Branco, cuja gestão é da responsabilidade da Águas do Vale do Tejo/EPAL.
Importa referir que esta não é uma situação recente. Trata-se de um problema que se verifica há muitos anos e que mereceu especial atenção do atual Executivo Municipal desde a sua tomada de posse, em 2021. Desde então, o Município tem promovido um acompanhamento permanente desta matéria, através dos Serviços Municipalizados de Castelo Branco, entidade responsável pela gestão da rede de coletores de saneamento, bem como através de contactos institucionais, reuniões técnicas e articulação entre as diversas entidades envolvidas, procurando identificar e implementar soluções que permitam minimizar os impactos sentidos pela população e contribuir para a resolução do problema.
A Schreiber Foods Portugal, S.A., instalada na Zona Industrial de Castelo Branco, é uma empresa multinacional do setor alimentar, especializada na produção de produtos lácteos, tendo realizado nos últimos anos importantes investimentos no concelho, destinados ao reforço da sua capacidade produtiva e à criação de emprego. Naturalmente, o crescimento da atividade industrial tem como consequência o aumento do volume de efluentes gerados pela unidade fabril.
Atualmente, esses efluentes são sujeitos a pré-tratamento na ETARI da empresa antes da sua descarga na rede pública de saneamento, seguindo posteriormente para tratamento final na ETAR de Castelo Branco. Reconhecendo a importância da proteção ambiental e procurando contribuir para a resolução definitiva desta situação, a Schreiber Foods desenvolveu contactos com o Município de Castelo Branco e com os Serviços Municipalizados, tendo solicitado a análise da viabilidade técnica e económica da possibilidade de encaminhar diretamente os seus efluentes para tratamento na ETAR de Castelo Branco.
Uma vez que a gestão e exploração daquela infraestrutura é da responsabilidade da Águas do Vale do Tejo, o pedido foi remetido para apreciação da referida entidade. Na sequência da análise efetuada, a Águas do Vale do Tejo informou que a ETAR de Castelo Branco não dispõe de capacidade para receber os efluentes provenientes da Schreiber Foods sem que os mesmos sejam previamente sujeitos a tratamento adequado que assegure o cumprimento dos parâmetros exigidos para a sua receção e estabelecidos no Regulamento de Exploração do Serviço Público de Saneamento de Águas Residuais do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento do Vale do Tejo.
Perante este enquadramento, o Município de Castelo Branco e os Serviços Municipalizados promoveram diversas reuniões de trabalho entre todas as entidades envolvidas, contando inclusivamente com a participação direta do Presidente da Câmara Municipal e da Vice-Presidente. Dessas reuniões resultou a necessidade de a Schreiber Foods avançar com soluções de melhoria, ampliação e remodelação da sua ETARI, com vista à otimização do processo de tratamento de efluentes e ao reforço da capacidade operacional da instalação, assegurando a continuidade do cumprimento das disposições regulamentares aplicáveis.
Na sequência destas diligências, encontra-se em desenvolvimento, por parte da Schreiber Foods, um conjunto de estudos e intervenções destinados à melhoria do desempenho da sua infraestrutura de prétratamento de efluentes. Este processo continua a ser acompanhado pelas entidades competentes e espera-se que as medidas a implementar contribuam para uma redução significativa dos impactos atualmente sentidos pela população. O Município de Castelo Branco continua a acompanhar este processo de forma próxima e permanente, mantendo contactos regulares com as entidades competentes e diligenciando para que sejam adotadas as medidas necessárias que permitam minimizar os impactos sentidos pela população e contribuir para uma solução estrutural e duradoura.
Este compromisso enquadra-se na estratégia ambiental que o Município tem vindo a desenvolver nos últimos anos e que continuará a reforçar no futuro, assente na proteção do ambiente, na sustentabilidade do território e na melhoria da qualidade de vida das populações. São exemplos concretos desta estratégia a resolução de problemáticas ambientais históricas no concelho, nomeadamente as relacionadas com a atividade da OVIGER, bem como os investimentos atualmente em curso na área do saneamento, através da substituição de fossas séticas coletivas por sistemas de tratamento mais eficientes, como acontece em Almaceda e Tojeiras e, em breve, em Maxiais. Estes investimentos permitirão reduzir os impactes ambientais, melhorar a qualidade dos efluentes tratados, valorizar os recursos hídricos e eliminar situações de maus odores reportadas pelas respetivas populações.
O Executivo Municipal reafirma a sua total disponibilidade para continuar a acompanhar esta situação com responsabilidade, transparência e sentido de missão, mantendo os munícipes informados sobre a evolução do processo e sobre as medidas que venham a ser adotadas. Embora não detenha competências diretas sobre a gestão da ETAR de Castelo Branco nem sobre a atividade industrial em causa, o Município continuará a assumir um papel ativo na articulação entre as entidades envolvidas, defendendo os interesses dos Albicastrenses e empenhando-se na procura de soluções que contribuam para a proteção do ambiente, para a preservação dos recursos hídricos e para a melhoria da qualidade de vida dos Albicastrenses", conclui o texto do Gabinete de Comunicação e Imprensa da Câmara Municipal.