Por: Diário Digital Castelo Branco
A rara estatueta romana de madeira da Igaedis, conservada no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, viu formalizado o apoio à sua salvaguarda, investigação e difusão. A assinatura dos contratos do programa ProMuseus 2025 decorreu esta quarta-feira, 4 de novembro, no Palácio Nacional da Ajuda, numa cerimónia pública que contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco.
Em nota enviada às redações, o Gabinete de Comunicação e Imprensa da Câmara Municipal de Castelo Branco refere que "o financiamento assegurado destina-se ao projeto “Ligneolus togatus - A Estatueta Romana de Madeira da Igaedis (Idanha-a-Velha): Um Tesouro Nacional no Museu Francisco Tavares Proença Júnior (Castelo Branco) - Parceria Interinstitucional com Vista ao seu Reconhecimento, Estudo e Divulgação”, candidatura esta submetida ao eixo de parcerias pelo Museu Francisco Tavares Proença Júnior, equipamento cultural tutelado pelo Município albicastrense.
A execução do projeto assenta numa sólida rede de cooperação constituída pelo Museu Nacional de Arqueologia, Museu Nacional de Conímbriga e Laboratório José de Figueiredo (instituições da Museus e Monumentos de Portugal, EPE), pelo Instituto Arqueológico Alemão, e pela UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa. Esta parceria garante a pluralidade de discursos e o rigor científico, tal como promove a capacitação técnica do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, membro da Rede Portuguesa de Museus.
O plano de trabalho abrange diversas ações programadas de inovação museológica, incluindo o estudo científico e laboratorial da peça através de análises materiais, enquadramento arqueológico e interpretação iconográfica. Estão também previstas a definição e aplicação de estratégias especializadas de conservação e restauro de material orgânico, a realização de ilustração científica, a digitalização tridimensional (3D) com execução de uma réplica, bem como a conceção de uma proposta museográfica didática, inclusiva e acessível a diversos públicos. O projeto evoca e homenageia igualmente o legado científico do arqueólogo D. Fernando de Almeida, antigo diretor do Museu Francisco Tavares Proença Júnior e do Museu Nacional de Arqueologia.
Como ponto alto da cooperação internacional prevista nesta iniciativa, realizar-se-á em setembro de 2027 um colóquio científico, ao qual se seguirá a publicação das respetivas atas. Proveniente da antiga civitas Igaedis (Idanha-a-Velha) e datada dos séculos I-II d.C., a estatueta romana em madeira (Inv. MFTPJr: 71.18) encontra-se classificada como Bem de Interesse Nacional / Tesouro Nacional, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 19/2006, de 18 de julho.
Trata-se de um bem cultural excecional e único no património arqueológico português, de elevadíssima raridade no contexto da Lusitânia e da Hispânia romana, destacando-se de forma singular pelo seu notável estado de preservação em material orgânico", conclui o texto do Gabinete de Comunicação e Imprensa da Câmara Municipal de Castelo Branco.