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Região 14 de agosto de 2026

Central de Almaraz: Municípios de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão manifestam preocupação com prolongamento até 2030

Por: Diário Digital Castelo Branco

Os presidentes das Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, e de Vila Velha de Ródão, António Carmona, manifestaram hoje profunda preocupação com o prolongamento da atividade da Central Nuclear de Almaraz, na província de Cáceres, aprovada até junho de 2030 pelo governo espanhol.

“Aquela unidade já devia estar a ser desmantelada, pois era esse o caminho, dado que há muito que está em fim de vida útil”, afirmou Leopoldo Rodrigues.

O autarca de Castelo Branco disse que vai “procurar saber, junto das entidades espanholas, que garantias de segurança existem para ter sido aprovado este prolongamento de vida de Almaraz”.

Castelo Branco “está na primeira linha de impacto caso suceda ali algum acidente”.

“E, tratando-se de uma central nuclear, sabemos que, por mais pequeno que seja o acidente, o impacto é sempre enorme” , afirmou o presidente da Câmara.

 

Já o Presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão disse estar muito apreensivo com a renovação da licença, até 2030, da Central Nuclear de Almaraz, na província de Cáceres, em Espanha. “Esta decisão provoca uma profunda apreensão e até revolta, porque o que todos esperávamos era que o desmantelamento desta central fosse, finalmente, uma realidade”.

António Carmona mostrou-se estupefacto com a decisão e lamentou que se esteja perante uma espécie do “poder do mais forte”.

Reiterou a sua preocupação com o facto de o concelho de Vila Velha de Ródão, ser, a par do de Castelo Branco, dos mais afetados em caso de um eventual acidente naquele equipamento.

“Castelo Branco está na primeira linha, mas é em Vila Velha de Ródão que o Tejo entra em Portugal e muitas das consequências daquela laboração vêm rio abaixo”, alertou. 

António Carmona lembrou também que “já está mais que ultrapassado o tempo de vida útil da Central Nuclear de Almaraz, o que, desde logo, aumenta o risco”.

“Não é possível andar tudo preocupado e em manifestações contra as centrais fotovoltaicas e não se tenha uma reação idêntica sobre esta”, lamentou, garantindo que, “independentemente de poder vir a ser tomada uma posição conjunta ao nível da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, o Município de Vila Velha de Ródão vai questionar o Ministério do Ambiente sobre as medidas que tomou sobre esta licença”.

O Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico (MITECO) renovou até junho de 2030 a licença de operação das Unidades I e II da Central Nuclear de Almaraz, uma prorrogação do tempo de vida daquele equipamento, pedido em outubro de 2025 pelas três empresas proprietárias da central, a Iberdrola, a Endesa e a Naturgy.

O encerramento gradual dos dois reatores estava inicialmente previsto para 01 de novembro de 2027, para a Unidade I, e 31 de outubro de 2028, para a Unidade II, em conformidade com o protocolo estabelecido pelas empresas de energia.

De acordo com a portaria ministerial, a prorrogação da licença de operação de Almaraz estará sujeita ao rigoroso cumprimento das condições e instruções de segurança emitidas pelo Conselho de Segurança Nuclear (CSN), que emitiu parecer favorável à renovação, condicionado ao cumprimento dos limites e requisitos de segurança nuclear e proteção radiológica agora definidos na portaria.

O parecer técnico do órgão regulador certificou e credenciou que a central nuclear de Cáceres atende às condições de segurança necessárias para operar com segurança durante o período de prorrogação.

O Ministério também justifica a decisão com base no novo contexto energético internacional e na volatilidade dos preços do gás resultante da crise no Médio Oriente.

Segundo os cálculos referidos no diploma, a manutenção de Almaraz até 2030 teria um efeito “limitado e insignificante” na implantação de energias renováveis e contribuiria para a redução da dependência do gás.

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