Por: Diário Digital Castelo Branco
A Quercus apela às instâncias competentes para reforçarem a fiscalização à qualidade da água do rio Zêzere, que teme poderem estar contaminadas com resíduos das Minas da Panasqueira, empresa extratora do concelho da Covilhã.
O alerta surge na sequência de um deslizamento de inertes das minas para a ribeira de Cebola, no final de janeiro, que obrigou à suspensão da captação de água naquele afluente do rio Zêzere, sendo o mesmo dirigido à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR).
À data, tal como a agência Lusa noticiou, a Câmara da Covilhã (distrito de Castelo Branco), através das equipas do Serviço Municipal da Proteção Civil e do Serviço de Obras, a Águas da Covilhã e a Beralt Tin & Wolfram, empresa extratora de volfrâmio e proprietária do terreno, garantiram que o abastecimento à população e a qualidade da água, não estavam comprometidas.
Para a associação Quercus, “em causa estão metais pesados altamente tóxicos como o chumbo e o arsénio, decorrentes da atividade mineira, e que, só por si, são motivo mais do que suficiente para a existência de uma fiscalização mais meticulosa (e publicamente acessível). A sua presença, aliás, foi também detetada nas margens do Rio Zêzere, fruto da eliminação das águas residuais vindas do processo mineiro”.
A associação recorda ainda que este episódio motivou “a suspensão da captação de água num ponto de abastecimento local e impulsionou a necessidade de análises para controlo da qualidade da água por parte da Câmara Municipal da Covilhã”.
Para o Centro de Informação de Resíduos da Quercus, “esta situação levanta legítimas preocupações sobre potenciais impactes na segurança da qualidade da água para consumo público, porque a barragem de Castelo do Bode, no rio Zêzere, é responsável pela água que abastece a área da Grande Lisboa”.
A Quercus defende que a APA e a ERSAR devem “efetuar estudos periódicos da qualidade da água em diversos locais a jusante das Minas da Panasqueira, bem como colheita anual de amostras biológicas vegetais e humanas em aldeamentos locais (incluindo em aldeias já consideradas fora da zona afetada pelos impactes ambientais), por forma a cumprir com as suas obrigações legais, de verificar e garantir o estado de saúde da população”.
Pede ainda à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) para “assegurar a inspeção da atividade atual deste complexo mineiro, por forma a garantir conformidade com as atuais leis de proteção ambiental e de saúde pública”.
Já da empresa espera, que “efetue trabalhos de tratamento e remediação das escombreiras de modo a garantir a segurança das populações e evitar futuras situações similares; aumente a capacidade da ETAR [estação de tratamento de águas residuais] para que possa tratar todos os efluentes procedentes das atividades mineiras locais; e efetue a manutenção mensal das tubagens nas quais circulam as águas residuais tóxicas, devido ao seu alto risco de corrosão e fugas”.
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