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Cultura 21 de março de 2026

Empresário penamacorense distinguido com Medalha de Mérito Cultural por promover as artes

Por: Diário Digital Castelo Branco/Lusa

O Governo vai distinguir o colecionador e empresário Armando Martins com a Medalha de Mérito Cultural, reconhecendo o seu contributo para a promoção das artes, que culminou na criação do MACAM – Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, em Lisboa.

De acordo com uma nota do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto divulgada hoje, a cerimónia de atribuição da medalha, para reconhecer o "trabalho inestimável" que o colecionador e empresário dedicou ao longo da vida à promoção e divulgação da arte e dos artistas, decorrerá no domingo, pelas 16:00, e será presidida pela ministra da tutela.

"A distinção reconhece não apenas a dimensão da coleção, mas sobretudo a visão, a determinação e a generosidade com que o colecionador tem dinamizado e fortalecido o nosso ecossistema cultural", afirmou a ministra Margarida Balseiro Lopes, citada no comunicado.

O interesse de Armando Martins pela arte contemporânea manifestou-se quando o colecionador tinha apenas 18 anos. Ao longo de mais de cinco décadas reuniu cerca de 600 obras de alguns dos mais relevantes artistas portugueses e internacionais, criando um conjunto cuja consistência e coerência "refletem um compromisso permanente com a criação artística", destaca-se na nota.

Nascido em Penamacor em 1949, Armando Martins formou-se em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico e iniciou a carreira profissional na Cabos d’Ávila antes de partir para o Brasil, depois do 25 de Abril. A partir de 1983, já de regresso a Portugal, vários investimentos no setor imobiliário resultaram na criação do Grupo Fibeira, responsável por projetos emblemáticos como o Atrium Saldanha, em Lisboa, distinguido com o Prémio Valmor.

Em 2025, Armando Martins concretizou "um dos mais relevantes projetos culturais das últimas décadas em Portugal", com a abertura do MACAM, num investimento superior a 55 milhões de euros, que lhe permitiu reabilitar o Palácio dos Condes da Ribeira Grande, situado entre Alcântara e Belém, e adaptá-lo para acolher um hotel-museu de cinco estrelas "sem precedentes em toda a Europa".

Na sua exposição permanente, o museu apresenta cerca de 215 obras do acervo do fundador, em diálogo com outras coleções.

“O MACAM é uma iniciativa privada que presta um importante serviço público no domínio da arte contemporânea, enquanto enriquece de forma duradoura a oferta cultural da capital”, destacou a ministra, que entregará a Medalha de Mérito Cultural a Armando Martins no mesmo dia em que o colecionador celebra o 77.º aniversário e o MACAM completa um ano de atividade, em que recebeu 80 mil visitantes.

Para assinalar a efeméride, o museu vai dar entrada gratuita na exposição permanente, com visitas orientadas, recitais de poesia, concertos-performance e atividades para crianças e famílias.

Na coleção Armando Martins - reunida ao longo de mais de 50 anos - estão representados artistas como Almada Negreiros, Paula Rego, Maria Helena Vieira da Silva, José Malhoa, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Pedro Cabrita Reis, Julião Sarmento, Rui Chafes, José Pedro Croft, Lourdes Castro, Silva Porto, Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Júlio Resende, Marina Abramovic, Olafur Eliasson, Isa Genzken, Liam Gillick e Dan Graham.

O hotel de cinco estrelas, com restaurante e cafetaria, possui 64 quartos com obras de arte de vários artistas no interior, e ainda seis estúdios com obras do artista José de Guimarães.

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