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Europa 30 de junho de 2012

Líderes europeus chegam a acordo sobre meios para suavizar a pressão que ameaça o financiamento de Espanha e Itália

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

Os líderes europeus chegaram ontem a acordo sobre novos meios para suavizar a pressão que ameaça o financiamento de Espanha e Itália, naquilo que foi interpretado como uma vitória diplomática dos primeiros ministros Mariano Rajoy e Mario Monti sobre uma resistente chanceler Angela Merkel. 

Os líderes europeus chegaram ontem a acordo sobre novos meios para suavizar a pressão que ameaça o financiamento de Espanha e Itália, naquilo que foi interpretado como uma vitória diplomática dos primeiros ministros Mariano Rajoy e Mario Monti sobre uma resistente chanceler Angela Merkel. Entre medidas de assistência e o arranque de uma união bancária a cimeira libertou alguma pressão imediata, mas no longo prazo mantêm-se as dúvidas da comunidade financeira – as novas armas para travar o contágio da crise têm alcance limitado, e quer o grau de compromisso da Alemanha, quer a viabilidade política de um união orçamental estão em dúvida.

Na cimeira realizada em Bruxelas, a 20ª desde o início da crise, os chefes de governo tinham a missão urgente de fazer qualquer coisa para estancar a pressão sobre os juros da dívida soberana de Itália e de Espanha, a terceira e quarta maior economia do euro, cujo resgate integral ultrapassa a capacidade dos dois fundos europeus. Nesta frente as 14 horas de negociação geraram resultados. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e o futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) serão utilizados para comprar dívida soberana nos mercados primário (dívida nova) e secundário – substituindo-se ao Banco Central Europeu na tarefa de suster a subida dos juros – bem como para capitalizar os bancos directamente (no caso do MEE).

Para Espanha as cedências foram mais longe. O país não terá que somar o resgate aos bancos à dívida pública e o fundo europeu (que empresta 100 mil milhões para a banca) prescinde do estatuto de credor preferencial (que, caso se mantivesse, desincentivaria as compras de dívida por parte de investidores privados, receosos de serem os primeiros afectados numa reestruturação).

As conquistas foram vendidas pelo governo espanhol – que formou uma aliança com o italiano contra a resistência alemã em ceder nas medidas de curto prazo – como uma vitória diplomática. As cedências vêm, contudo, com um preço associado. Se Madrid ou Roma recorrerem aos fundos de resgate – para financiarem bancos ou o Estado – terão de assinar um memorando e submeter-se a contrapartidas de política para os bancos resgatados, para o sector financeiro em geral ou para toda a economia. Como os dois governos estão já a cumprir um programa de reformas e consolidação orçamental, a expectativa nas duas capitais é de que a assistência financeira não represente contrapartidas adicionais (embora a dieta em curso seja enorme e uma vitória para Merkel – ver perguntas e respostas ao lado).

Por agora quer Rajoy quer Monti negam recorrer imediatamente aos fundos de resgate, embora o primeiro-ministro italiano admita que tal possa ser necessário no futuro. A expectativa é de que o anúncio da utilização dos dois fundos chegue por si só para travar a pressão dos mercados. Na reacção imediata à cimeira, os juros de Espanha e Itália desceram de forma significativa – nas cimeiras anteriores, contudo, as reacções foram idênticas (devendo-se ao fecho de posições especulativas), sendo seguidas de mais pressão. Vários analistas citados ontem pela imprensa anglo-saxónica temperaram o optimismo no curto prazo, realçando que os dois fundos europeus não têm capacidade para financiar Espanha e Itália – a bazuka para dissuadir os mercados (expressão usada primeiro nos Estados Unidos) parece demasiado pequena para ter efeito.

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