Poesia: Novo livro de Gonçalo Salvado homenageia arte de amar de Ovídio e é ilustrado com desenhos de Francisco Simões

Com o título em latim Feliciter Ardet (Arde com felicidade) Novos Poemas do Amor e do Vinho vai ser publicado o livro de  Gonçalo Salvado numa colaboração da Editora Lumen com a Livraria Sá da Costa Editora de Lisboa, em parceria com a Quinta dos Termos.

  • Cultura
  • Publicado: 2021-09-14 07:02
  • Autor: Diário Digital Castelo Branco

Segundo informação a que o Diário Digital Castelo Branco teve, o livro insere-se numa coleção de poesia, única no panorama editorial português, dirigida por Gonçalo Salvado, cujas obras surgem em original formato livro/garrafa, numa união que pretende materializar a relação simbólica e milenar entre o vinho e a poesia. O editor é Ricardo Paulouro.

O livro que reúne poemas inéditos de Gonçalo Salvado com o tema do vinho no contexto amoroso reproduz no título um verso do poeta latino Ovídio (43 a.C. - c. 18 d.C.), e pretende homenagear a obra mais emblemática deste poeta, a Arte de Amar, uma das mais célebres da poesia ocidental, que imortalizou o autor como “pedagogo do amor”. Lembremos que nesta obra, o vinho é um elemento recorrente e é visto por Ovídio como um dos auxiliares do amor. Não poucas vezes o poeta romano refere as suas virtudes e as enormes potencialidades que tem no processo de sedução e no amor. Para Ovídio, “O vinho põe o coração a jeito e torna-o pronto para a fogueira.” Baco, o deus do vinho, “ajuda os amantes e alimenta o fogo em que ele próprio se inflama”. E a junção do amor com o vinho é descrita expressivamente por Ovidio: “Vénus no vinho é fogo no fogo”. Este verso, em epígrafe, abre o novo livro de Gonçalo Salvado. 

De referir que, para diversos estudiosos, Ovídio pode ser considerado um precursor da igualdade entre os sexos, é o único dos poetas latinos a reservar à mulher um papel de alguma dignidade e a previlegiar o seu estatuto no que concerne à sexualidade e à união amorosa, numa época em que era tradicionalmente secundarizada.  

 O livro de Gonçalo Salvado é ilustrado com desenhos inéditos do escultor Francisco Simões, um dos mais emblemáticos representantes do sensualismo erótico em arte em Portugal,  e artista com o qual o poeta já colaborou noutras publicações como  no caso do seu livro de poesia Denudata (2018), que contou igualmente com ilustrações do escultor. Lembremos que esta obra foi galardoada com o Prémio de Poesia Álvares de Azevedo da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, em 2020.

  O livro inclui ainda um texto de abertura de Maria João Fernandes.

A apresentação do livro Feliciter Ardet (Arde com felicidade) Novos Poemas do Amor e do Vinho, ocorrerá no contexto da comemoração dos 20 anos da Quinta dos Termos, tendo sida esta edição concebida para assinalar este aniversário.  

De lembrar que não é a primeira vez que Gonçalo Salvado homenageia Ovídio e a sua renomada Arte de Amar. Em 1999, G.S. publicou a transcriação/antologia: Camões Amor Somente. A obra é uma tentativa de construção de um Cântico dos Cânticos e de uma Arte de Amar em língua portuguesa a partir de fragmentos da lírica, da épica e da dramaturgia camonianas. Por outro lado, o autor pretendeu reconstituir a atmosfera e o conteúdo do Parnaso de Luís de Camões, obra perdida pelo poeta em Moçambique que, segundo Diogo do Couto, lhe terá sido furtada e que reuniria todas as poesias líricas de Camões. Acerca desta obra, apresentada na Embaixada de Espanha  em Lisboa, pronunciou-se o Professor Justino Mendes de Almeida, reconhecido estudioso de Camões: “A mais bela, original e criativa antologia de Camões que me foi dada a ler”. 

De referir também que está prevista para breve, em relação com o tema do amor e com a cultura latina de que Ovídio é um expoente, a concretização de um outro projeto interdisciplinar de Gonçalo Salvado e de Maria João Fernandes: “A Imortalidade do Amor, Os Amantes de Pompeia – Contributo para a Fixação de um Novo Mito Amoroso”.  Projeto que engloba uma antologia poética, com organização de Gonçalo Salvado e uma exposição coletiva de escultura, pintura e gravura comissariada por Maria João Fernandes.  A mostra partiu da ideia de uma antologia, da autoria de Gonçalo Salvado, de poemas inspirados nos “Amantes de Pompeia”, a primeira a nível mundial e inclui colaborações de reconhecidos poetas portugueses e estrangeiros e conta com um prefácio do conceituado ensaísta, crítico literário e poeta português Fernando Guimarães e com textos de abertura de Gonçalo Salvado e Maria João Fernandes. A antologia será editada igualmente pela editora Lumen em formato de livro convencional. O projeto sobre os “Amantes de Pompeia”, deverá equacionar o triunfo do amor sobre a morte, sobre o tempo e sobre todas as vicissitudes que ameaçam o destino humano. Um tema muito atual atendendo ao momento civilizacional que vivemos.

Lembremos ainda que o vinho num contexto amoroso é por sua vez o tema do livro Rubá’iyat Poemas do Amor e do Vinho, primeira recolha antológica de poemas de Gonçalo Salvado, ilustrada com desenhos do escultor José Rodrigues, publicada por esta mesma editora e com o mesmo formato (2017) em homenagem ao Rubá’iyat do poeta persa do séc. XI Omar Kayyam – obra cume da poesia universal, uma das que mais enaltece o vinho. Esta antologia com poemas de Gonçalo Salvado constituiu na altura o primeiro livro/garrafa editado em Portugal.

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