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Região 7 de setembro de 2017

Proença-a-Nova: Património Arqueológico revela potencial turístico, económico e cultural no concelho

Por: Diario Digital Castelo Branco

Preservar o património arqueológico que existe no território e valorizar o potencial turístico das estruturas militares, aliando o conhecimento e partilhando-o, são estratégias definidas pelo Município de Proença-a-Nova que foram destacadas no I Congresso Internacional de Arqueologia e História, que decorreu no dia 1 e 2 de setembro, no Auditório Municipal.

Preservar o património arqueológico que existe no território e valorizar o potencial turístico das estruturas militares, aliando o conhecimento e partilhando-o, são estratégias definidas pelo Município de Proença-a-Nova que foram destacadas no I Congresso Internacional de Arqueologia e História, que decorreu no dia 1 e 2 de setembro, no Auditório Municipal.

João Lobo reforçou que o objetivo da Câmara Municipal será a transmissão de conhecimento e o aproveitamento turístico das estruturas militares, que outrora serviram de defesa do país, e de outro património arqueológico existente no concelho. Numa alusão à finalidade destas estruturas de defesa militar, referiu que “agora a sua função será proteger o território e como um atrativo para nos defender do processo de desertificação, potenciando outras valências”.

Neste sentido, e de acordo com João Lobo, têm sido mantidas conversações de modo a fazer a ligação entre as Linhas Defensivas das Talhadas-Moradal e as Linhas de Torres Vedras, de modo a criar sinergias para que sejam motivo de investigação, mas também apelativas do ponto de vista turístico, na criação de uma rede intermunicipal, bem como Oleiros e Vila Velha de Ródão.

Esta iniciativa trouxe a Proença-a-Nova vários especialistas militares, professores universitários e investigadores que durante os dois dias debateram o papel das linhas defensivas, as estratégias militares e os planos defensivos desde o século XVII até às invasões napoleónicas, período em que os fortes e baterias tiveram um papel determinante em termos militares e políticos, sendo que atualmente se revestem de importância histórica, arqueológica e turística.

Perante este interesse e a diversidade de temas que foram abordados, serão publicadas em livro as atas e contributos resultantes deste colóquio, uma forma de eternizar o conhecimento, cujo sucesso, tal como afirmou João Lobo, se “deve à colaboração do Exército Português e à parceria que existe há já vários anos com a Associação de Estudos do Alto Tejo”.

João Caninas, enquanto representante da Associação de Estudos do Alto Tejo, agradeceu também ao Município a “forma dedicada e com visão com que tem acolhido estas iniciativas e a forma como as tem posto em prática no concelho”, acrescentando que Proença-a-Nova é “um bom exemplo a seguir pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa. Municípios com mais meios não tem feito tanto quanto Proença-a-Nova. E naturalmente, agradeço também ao Exército Português pela forma muito competente com que se empenhou no apoio a este congresso”, concluiu.

Depois destes dois dias que se revelaram um sucesso em reflexões sobre a relevância desta temática e em troca de conhecimentos sobre a história militar e política, o Major General Aníbal Flambó sublinhou que embora “o Exército não tendo como esta a sua missão, tem como tarefa manter e preservar a história e cultura militar. E é nesse âmbito que aqui estamos”.

Este colóquio foi desenhado pela Associação de Estudos do Alto Tejo e colaboração do Município de Proença-a-Nova e do Exército Português, o qual teve “um papel incontornável na organização deste congresso, pois foi graças a esta parceria que se encontraram o conjunto de oradores que estiveram presentes. De facto, o mérito deve ser atribuído ao Exército pelo bom aconselhamento que nos deram”, agradeceu João Caninas. “Este congresso surge como o culminar de um trabalho que tem vindo a ser feito”, conclui João Lobo, e será uma iniciativa que marcará a diferença no concelho e na região e o repercutir de outros eventos que envolvem esta temática.

Além da publicação das atas deste congresso, a futura Casa da Memória e da Cultura será o repositório do espólio resultante das escavações e cujo objetivo é fazer a ligação com o Edifício dos Fortes e Baterias, em Sobreira Formosa, e entre as várias estruturas existentes no território do concelho. “Isto é que está pensado no domínio desta temática e que será a aposta do Município a par do Campo Arqueológico Internacional que todos os anos tem levado Proença-a-Nova além-fronteiras”. O presidente da autarquia sublinhou que é graças ao trabalho do Campo Arqueológico que “o Município cria através da arqueologia condições para ser atrativo”. E revela que o sucesso deste trabalho se deve às redes de cooperação, com as quais se terá um melhor resultado “se tivermos a capacidade de sermos complementares”.

Foi ainda inaugurada a exposição “A Defesa da Beira-Baixa – A Linha Defensiva das Talhadas-Moradal”, que ficará patente até 22 de setembro no Auditório Municipal e entre 23 e 31 de outubro no Edifício dos Fortes e Baterias, em Sobreira Formosa. O Forte das Batarias, em Catraia Cimeira, recebeu uma encenação militar, uma iniciativa inserida no projeto Beira Baixa Cultural, que representaram as guerras peninsulares, período em que este forte foi usado para defesa do reino, e deu a conhecer ainda a intervenção deste espaço, que conta a partir de agora com um passadiço para que seja possível a visita. Este primeiro dia de congresso terminou com um espetáculo musical que contou com a presença da soprano Filomena Silva, acompanhada ao piano por José Raimundo, promovido pela Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

Este evento foi organizado em quatro sessões, ao longo de dois dias. O primeiro dia do congresso centrou-se na Linha Defensiva das Talhadas-Moradal, moderado pelo Tenente-General António Mascarenhas e teve a participação do Tenente-Coronel Abílio Lousada, do Professor Doutor Fernando Dores da Costa, do General António Martins Barrento e do Doutor José Norton. O segundo dia de congresso centrou-se no Planeamento Defensivo entre os séc. XVII e XIX, moderado pelo Major General Aníbal Flambó e contou com as intervenções do Coronel José Paulo Berger, do Professor Doutor Charles Esdaile, do Professor Doutor Juan Manuel Abascal e da Dra. Ana Umbelino. Os Sistemas Defensivos na Europa entre os séc. XVII e XIX foi o tema moderado pelo Coronel José Paulo Berger, com as intervenções do Doutor Martin Rink, do General Rui Moura e do Professor Doutor Miguel Ángel Mélon Jiménez. O congresso encerrou com as Linhas de Investigação e Valorização onde participaram o Professor Doutor Sérgio Veludo Coelho, o Mestre Rui Ribolhos Filipe e o investigador José Júlio Cruz, numa sessão moderada pela Dra. Helena Moura. 

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