Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Cinco vereadores da Câmara da Covilhã (três do PS e dois do PSD) anunciaram, ontem à noite, que vão faltar à reunião do executivo camarário marcada para hoje, inviabilizando assim os trabalhos por falta de quórum.
Cinco vereadores da Câmara da Covilhã (três do PS e dois do PSD) anunciaram, ontem à noite, que vão faltar à reunião do executivo camarário marcada para hoje, inviabilizando assim os trabalhos por falta de quórum.
O anúncio foi feito em conferência de imprensa, na qual os vereadores explicaram que, apesar de terem maioria para chumbar as propostas, a decisão de não comparecer "é uma forma de protesto" contra o que classificam de uma agenda de trabalhos "eleitoralista".
Em causa, segundo os mesmos, está o facto de estarem agendados quatro protocolos de transferência de verbas com juntas de freguesia, bem como um outro com uma associação local (Associação Desportiva da Estação - ADE), que custará à câmara cerca de um milhão de euros.
De acordo com os cinco vereadores, a isto acresce ainda um ponto relativo a uma decisão arbitral que implica que a autarquia pague dez milhões de euros à empresa Bragaparques (concessionária do Silo-auto da cidade) e sobre a qual os vereadores dizem "ter total desconhecimento", já que, afirmam, os serviços lhes recusaram o acesso aos documentos.
"Não estamos disponíveis para dar cobertura a comportamentos, a acordos, a vontades, a entendimentos, a compromissos que não estão justificados, de cuja legalidade duvidamos e cuja utilidade não está demonstrada", referiu Vítor Pereia, porta-voz dos vereadores socialistas, que é também candidato à autarquia nas eleições de 29 de setembro.
Aos eleitos socialistas junta-se a voz de dois eleitos sociais-democratas (João Esgalhado e Pedro Silva), que, em novembro, entraram em rota de colisão com o presidente Carlos Pinto (PSD), que manteve do seu lado três dos cinco vereadores eleitos na lista que encabeçou.
"Estamos a vinte dias do final do mandato e querem aprovar protocolos que vão hipotecar a capacidade de investimento do próximo executivo em mais de 25%. Isto não é admissível", referiu João Esgalhado, do PSD.
Em uníssono, os vereadores recordam que os protocolos em causa só começariam a ser cumpridos já depois da tomada de posse do futuro executivo, do qual Carlos Pinto não fará parte, já que não se pode recandidatar devido à lei de limitação de mandatos.
Ainda assim, os vereadores consideram que os pontos agendados representam um "foguetório populista e demagógico" que visa beneficiar o "delfim do presidente", apelidam, sem concretizar o nome do vice-presidente da autarquia e candidatado independente às próximas eleições.
Os vereadores garantem que estão "disponíveis" para resolver os problemas das associações, nomeadamente da ADE, mas não enquanto tiverem dúvidas sobre a "legalidade e moralidade" dos protocolos.
"Temos quase certeza de que estes protocolos não teriam visto do Tribunal de Contas porque não cumprem as regras. Mas entretanto, o anúncio, com direito a festa e foguetes já tinha sido realizado", ressalvou Pedro Silva, que também sublinhou que, mesmo que o "legalmente [o presidente] possa tomar este tipo de decisões, moralmente esse direito já não lhe assiste".
Os vereadores informaram ainda que, caso sejam marcadas novas reuniões, continuarão a faltar até a um limite que implique a perda de mandatos.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet