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Região 28 de junho de 2013

Covilhã: Da casa “senhorial” à horta social

Por: Diario Digital Castelo Branco

Já é uma realidade a horta social da Associação de Socorros Mútuos da Covilhã (ASMC). Cinco famílias carenciadas têm desenvolvido culturas e há novos pedidos para cultivar mais terras.

Já é uma realidade a horta social da Associação de Socorros Mútuos da Covilhã (ASMC). Cinco famílias carenciadas têm desenvolvido culturas e há novos pedidos para cultivar mais terras.

Nas parcelas localizadas na Avenida de Santarém, a sementeira de Primavera já dá mostras dos legumes e outras culturas. Árvores de fruto e flores. Mas no quintal, cuja casa senhorial é celeiro para guardar sementes e outros bens que a terra dá, existem também capoeiras e espaços de vida para os animais.

O espaço é ponto de confluência para alcoólicos recuperados. Sobretudo ao sábado não é difícil encontrar agricultores de enxada na mão a cultivar as terras. Mas não são só os antigos consumidores de álcool a tratar as terras. É o caso de um casal de jovens estudantes que aproveitam o tempo livre para cuidar da horta.

Sara Melancia tem 19 anos, veio de Braga, estuda no ensino secundário e sonha com a constituição de uma bolsa de terrenos para ampliar a prática da agricultura junto da juventude. Diz-se vegetariana e defensora de estilos de vida saudáveis. Um gosto partilhado com Diogo Lourenço. Natural de Cucujães,23 anos, Diogo veio para a Covilhã tirar uma licenciatura em economia. Entrou na Universidade da Beira Interior e também se propõe contribuir para a “mudança de hábitos e maneira de pensar dos jovens”. “Os jovens desdenham da agricultura, desconhecem o mecanismo de cultura e parecem ter vergonha de quem cultiva o campo. Um cenário comum a outras regiões do país mas que custa a aceitar na Covilhã, que sempre teve ligações à agricultura. Há muitos terrenos baldios que poderiam ser aproveitados, sobretudo por haver tanto desemprego”, justificam.

Diogo Lourenço vai mais longe e sugere à Câmara Municipal da Covilhã a implementação de políticas de incentivo ao cultivo das terras, “seria mais fácil atrair pessoas ao cultivo das terras”, remata. Diogo e Sara cultivam desde há um ano uma das leiras do quintal e já levaram para casa “couve lombarda, portuguesa, grelos, alfaces e alho francês”.

Um bocadinho de tudo para enriquecer a mesa e partilhar com os vizinhos agricultores. “Somos uma família”, atira Sara Melancia satisfeita pela possibilidade de gastar energias no campo. “Não precisamos da agricultura para descontrair. Gostamos de fazer isto”, dizem. Diogo e Sara partilham experiências de agricultura com Domingos, um antigo alcoólico que além da cultura se dedica à criação de animais.

O mesmo acontece com Bruno Saraiva. Padeiro de profissão, 37 anos, junta-se a outras quatro famílias da Covilhã que decidiram “investir” na horta social da ASMC. À volta da bonita moradia, não faltam leiras de batata e feijão-verde, tomate, alface, cebolo ou pimento. Os canteiros do velho jardim são hoje terra para a produção de hortícolas e as arrecadações são capoeiras de coelhos e pombos, galinhas e outros vivos.

A ASMC, habituada a implementar respostas sociais para os mais carenciados, aproveitou os terrenos desta antiga quinta nas proximidades do quartel de bombeiros e a título gratuito cede parcelas de terra a pessoas que queiram cultivar hortaliça e outros mimos para o sustento da família. Cumpre-se assim uma das várias bandeiras sociais anunciadas pela direcção da ASMC liderada por Carlos Casteleiro.

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