Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Um alimentador para abutres vai ser instalado junto a Vila Velha de Ródão para promover a conservação das aves, numa iniciativa conjunta do município, da empresa de pasta de papel Celtejo e da associação ambientalista Quercus.
Um alimentador para abutres vai ser instalado junto a Vila Velha de Ródão para promover a conservação das aves, numa iniciativa conjunta do município, da empresa de pasta de papel Celtejo e da associação ambientalista Quercus.
O protocolo para instalação do alimentador foi hoje assinado pelas três entidades, mas a Quercus considera necessário que as explorações de gado voltem a ser autorizadas a deixar carcaças no campo para não faltar comida às aves necrófagas.
O alimentador a construir em Ródão consiste numa área vedada onde são colocados restos de animais por forma a alimentar abutres, explicou à agência Lusa o responsável pela Quercus em Castelo Branco, Samuel Infante.
"A vedação impede outras espécies de entrarem: só é possível o acesso pelo ar", tal como já acontece noutros dois alimentadores instalados no Parque Natural do Tejo Internacional e em zonas de caça da região.
Apesar de estar proibida "a deposição de cadáveres no campo, já há alguns anos, por causa da doença das vacas loucas, as diretivas comunitárias permitem a criação destas zonas de alimentação".
Mesmo assim, "não chegam: há um grave problema de alimentação de aves necrófagas", alerta Samuel Infante.
O dirigente da Quercus refere que Portugal devia seguir o exemplo de Espanha e aproveitar o facto de as normas comunitárias "já permitirem que as carcaças" de gado "fiquem no campo, como sempre aconteceu" em zonas onde não haja problemas sanitários.
"Já acontece em Espanha e é um processo natural, em que os abutres se encarregam da limpeza", refere.
Segundo Samuel Infante, a medida seria importante para a preservação das aves e evitaria alguns problemas associados à criação de alimentadores, tais como a mudança de hábitos e de localizações das espécies.
Aquele responsável lamenta que a estratégia nacional para conservação das aves necrófagas "esteja na gaveta do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF)" em vez de ter entrado "em discussão pública, em 2012".
A estratégia "enquadraria todas estas situações, mas não há orientação pública nesse sentido", concluiu.
Contactada pela agência Lusa, fonte do ICNF disse hoje estar prevista para "muito breve prazo a fase de consulta pública da Estratégia Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas".
A mesma fonte referiu que "a autoridade competente em matérias veterinária e de saúde pública, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, tem estado a trabalhar sobre esta temática", relativamente à deposição de carcaças para alimentar as aves.
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