Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O ex-provedor da Misericórdia do Fundão, Manuel Correia, de 78 anos, tentou hoje faltar ao início do julgamento em que surge acusado de crimes de peculato e falsificação de documentos.
O ex-provedor da Misericórdia do Fundão, Manuel Correia, de 78 anos, tentou hoje faltar ao início do julgamento em que surge acusado de crimes de peculato e falsificação de documentos.
O arguido só compareceu minutos depois de o tribunal anunciar a emissão de mandados para o obrigar a estar presente.
O advogado de defesa baseou-se num relatório psiquiátrico, que consta do processo, para alegar que o principal arguido no caso não estaria em condições de estar presente no tribunal.
No entanto, o Ministério Público e o coletivo de juízes consideraram importante a presença de Manuel Correia.
O juiz presidente Gabriel Santos salientou que o relatório psiquiátrico não considera a presença "de todo impossível" e recordou uma declaração do próprio para o processo em que se disponibilizou a comparecer em audiência.
Como consequência, o coletivo de juízes anunciou a emissão de mandados para levar o ex-provedor a tribunal, mas, antes que fossem colocados em prática, Manuel Correia apresentou-se pelo próprio pé, minutos depois, após um contacto do advogado.
O Ministério Público acusa o ex-dirigente, três filhas e dois dos genros de se terem apropriado de pelo menos 102 mil euros da instituição, que eram alegadamente transferidos para familiares como se de salários se tratassem.
Questionados pelo juiz presidente no início dos trabalhos, os cinco arguidos remeteram-se a silêncio.
A Santa Casa da Misericórdia do Fundão e a União das Misericórdias portuguesas constituíram-se como assistentes, considerando-se lesadas no processo.
Na primeira sessão, o advogado da Misericórdia do Fundão disse que pretende ver provada a acusação, segundo a qual o ex-provedor faria transferências mensais de uma conta criada em 1993, paralela à contabilidade da Santa Casa.
Estão registadas no processo transferências para a conta de uma filha desde 1996 até 2002, num total de 55.961 euros.
Para outras duas contas, de duas filhas e respetivos genros, terão sido transferidos 36.237 euros e 10.524 euros, entre 2000 e 2002, refere a acusação.
Manuel Correia é também acusado de falsificação de documentos para receber mais de 10 mil euros a título de despesas, entre 2004 e 2007.
Por seu lado, a defesa classificou a acusação como "falsa e difamatória", considerando que o ex-provedor e familiares foram alvo de uma "injusta condenação prévia ao julgamento" junto da opinião pública.
As investigações na Santa Casa da Misericórdia do Fundão foram desencadeadas por uma denúncia feita pela comissão administrativa que, em 2008, passou a dirigir a instituição.
A maior parte do tempo da primeira sessão, durante a manhã, foi ocupada com o agendamento da audição de cerca de 40 testemunhas, tendo ficado já agendadas várias sessões até ao mês de junho.
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