Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
José Bordadágua, 76 anos, vive sozinho e é no Espaço das Idades, na Covilhã, que encontra remédio contra a solidão, especialmente na quadra de Natal. "Tenho filhos e netos", destaca, mas as companhias de sempre estão naquele espaço municipal, onde passa os dias com os amigos.
José Bordadágua, 76 anos, vive sozinho e é no Espaço das Idades, na Covilhã, que encontra remédio contra a solidão, especialmente na quadra de Natal.
"Tenho filhos e netos", destaca, mas as companhias de sempre estão naquele espaço municipal, onde passa os dias com os amigos.
Por esta altura, estes amigos seniores até presentes trocam: "São prendas simbólicas, pelos tempos que correm", mas são pormenores que lhes preenchem os dias.
"É aqui que me sinto bem", refere José Bordadágua.
António Rebordão, coordenador do Espaço das Idades, coleciona testemunhos de solidão e carência, aos quais tenta dar resposta com o apoio do município, de instituições locais e diversos voluntários.
"Infelizmente, há um número muito significativo de idosos do concelho a viver sozinhos", refere.
Dos cerca de 18 mil portadores do cartão social municipal, 10 a 15 por cento não têm mais ninguém em casa, estima aquele responsável a partir da amostra de utentes do Espaço das Idades.
Perto de 4000 idosos são frequentadores fiéis como utentes de ateliers, formação ou serviços a preços reduzidos, como um salão de cabeleireiro ou estúdio de marcenaria que ali funcionam.
O número de idosos "tem aumentado" ao longo dos três anos de atividade, realça.
A programação de 2012 para Natal e passagem de ano incluiu um jantar para os idosos carenciados "que juntou mais de 100 pessoas" e não faltam interessados no baile de Natal marcado para dia 28.
"Muitos procuram aqui um refúgio", outros pedem ajuda na missão de "encontrar uma prenda para o neto", nem que seja um brinquedo usado, doado por algum voluntário.
A Câmara da Covilhã suporta as despesas de manutenção e funcionamento do Espaço das Idades, mas António Rebordão reclama a atenção de outras entidades.
"Vamos sempre lutando até que alguém do Governo nos apoie", sublinha, queixando-se de os idosos serem "abandonados" pelos governantes, porque "já não produzem", enquanto "no Espaço das Idades mostram que são pessoas úteis".
António Lopes é um dos utentes que deitou mãos à obra.
No Espaço das Idades, ajudou a fazer o presépio, refere, ao apontar para a miniatura de uma cerca que rodeia pequenas figuras de um rebanho.
"Sinto-me aqui muito bem, longe da solidão dos bancos de jardim", concluiu.
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