Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
"Bento XVI tem sido acusado de não ter reagido aos casos de pedofilia, sem nos darmos conta de que praticamente todos esses casos começaram no tempo de João Paulo II", afirmou, em declarações à Lusa poucos dias antes da visita do papa a Portugal, de 11 a 14 de maio.
"Este papa teve uma intervenção fortíssima, dizendo à Igreja que tem de ser humilde e pedir perdão, que também ela peca".
"Teve ainda uma segunda intervenção, que é não só para a Igreja mas para a sociedade em geral e os políticos, afirmando que há que ser transparente e não ocultar o pecado, procurá-lo até, pedir perdão, e isso é um ato de coragem".
"Sendo um papado aparentemente cinzento, Bento XVI deixará luzes para o futuro, textos, reflexões, análises", disse Laboa Gallego.
O historiador, professor durante 30 anos na Universidade Pontifícia Comillas, em Madrid, afirmou que poderá ter surpreendido a eleição de Joseph Ratzinger que "trabalhou tão intimamente com [o antecessor] João Paulo II”, mas corresponde a uma vontade de "equilíbrio e reflexão".
"São duas personalidades muito distintas. João Paulo II deu-se continuamente, tinha uma capacidade enorme em relacionar-se, Bento XVI é mais reservado e um homem de estudo e intelecto".
Por outro lado, referiu, "o atual Pontífice não é tão simpático e acessível como João Paulo II".
"Bento XVI é um homem de estudo, um intelectual que não gosta da relação contínua com as pessoas, prefere estar só a refletir e a escrever", afiançou.
Para o historiador, este papado "procura equilibrar o longo e forte pontificado que foi o de João Paulo II, que teve uma grande mediatização".
Laboa Gallego considera que Bento XVI demonstra "a necessidade de tranquilidade, de sair do primeiro plano, de reflexão própria da Igreja [Católica]".
Bento XVI, todavia, "tocou vários temas de importância vital, como a questão 'Fé e Razão'".
Relativamente a esta questão, Bento XVI "tem refletido se uma pessoa dos dias de hoje pode ter Fé".
O historiador salientou ainda que "Bento XVI foi claro relativamente ao Islão, nomeadamente no que disse na Universidade de Regensburgo".
"O que Bento XVI quis dizer foi que o cristianismo muito transcendental chegou a uma síntese com a Razão e é disto que o Islão precisa", explicou o historiador.
Juan María Laboa Gallego, doutor em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, é autor de "História dos oapas", editado em Portugal pela Esfera dos Livros.
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