Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A cinco dias da chegada de Bento XVI a Fátima, para a primeira visita ao santuário como chefe dos católicos, livrarias próximas do recinto compõem as montras com livros de Ratzinger, apelando aos peregrinos para conhecerem o seu pensamento.
A tarefa, porém, está a revelar-se difícil, com as justificações a irem em dois sentidos: "é a crise", dizem uns, ou "se fossem livros de João Paulo II…", afirmam outros.
Na livraria do Santuário, o reforço de livros de e sobre Bento XVI é evidente.
Logo à entrada, são muitos os títulos disponíveis, desde ensaios a homilias, passando por obras de pensamentos para reflexão. As vendas, porém, são poucas, como ali é admitido. E os clientes que entram dirigem-se, em grande parte, para outras prateleiras, onde se encontram as vidas de santos ou obras sobre Fátima e os acontecimentos de 1917.
Do outro lado do recinto, na livraria Verdade e Vida, especializada em livros de temática religiosa, o panorama é idêntico.
Segundo o padre José Geraldes, administrador do estabelecimento, "não há grande procura, não se compara com o que aconteceu há dez anos, aquando da vinda de João Paulo II".
"É a crise. As pessoas entram, veem os livros do papa mas, quando reparam nos preços, desistem", disse o sacerdote à agência Lusa, adiantando que, "o que ainda se vai vendendo são pequenos livros baratos de devoções populares e bíblias".
Na livraria, o padre Geraldes tem disponíveis cerca de 50 obras escritas já pelo papa Bento XVI e mais de 20 produzidas enquanto cardeal Ratzinger.
De autores vários sobre a figura do atual papa são mais algumas dezenas.
Mas, não é apenas na venda de livros que se espelham as diferenças entre João Paulo II e Bento XVI.
Os posters do papa têm pouca saída, segundo o administrador da Verdade e Vida e mesmo o movimento nas ruas, se fosse no tempo de João Paulo II "seria muito maior".
A "crise económica" é o fator principal que José Geraldes aponta como responsável pela situação, embora não esconda que o anterior papa era "mais mobilizador".
E questionado sobre se um tempo de crise não continua a ser propício a um maior recurso das pessoas à Igreja e, consequentemente, à leitura sobre temas religiosos e espirituais, a resposta é perentória: "sabe, a oração é de borla, os livros são pagos!".
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