Crise financeira: Portugal teria de 'desbaratar' já 63,5 mil milhões para ficar como a Grécia

 A Grécia está na bancarrota. Portugal não. E para o Estado português ficar como o grego teria de 'desbaratar' já 63,5 mil milhões de euros, o correspondente a seis projetos de TGV, incluindo a ligação Lisboa-Porto.

  • País
  • Publicado: 2010-05-02
  • Autor: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Grécia está na bancarrota. Portugal não. E para o Estado português ficar como o grego teria de 'desbaratar' já 63,5 mil milhões de euros, o correspondente a seis projetos de TGV, incluindo a ligação Lisboa-Porto.

É simples de explicar se a análise for feita somente pelo lado da dívida pública: enquanto na Grécia, a riqueza produzida num ano (PIB) é 31,6 mil milhões de euros inferior ao que deve, o Estado português tem ainda uma margem de 38 mil milhões de euros para chegar a um endividamento igual à sua riqueza e 24,5 mil milhões para chegar à situação da Grécia, segundo dados de 2009.

Ou seja, Portugal TEVE um Produto Interno Bruto (PIB) de 163,9 mil milhões de euros, mas a sua dívida pública foi de 125,9 mil milhões de euros, correspondendo a 76,8 por cento do PIB.

Situação diferente é a dos gregos. Com um PIB de 237,5 mil milhões de euros, a Grécia está com uma dívida de 269,3 milhões de euros, mais 31,6 mil milhões de euros, o que corresponde a 115,1 por cento do PIB.

Enquanto o Estado grego está a viver 15,1 por cento acima das suas possibilidades, o Estado português está a 23,2 por cento de começar a viver acima das suas possibilidades.

Para Portugal ou outro país qualquer, uma situação ideal seria ter um forte equilíbrio entre o que o Estado deve e aquilo que o país produz. Uma dívida pública de 76,8 por cento do PIB não é o ideal, mas não é preocupante quando comparado com a Grécia. A situação só trará consequências adversas se subir exponencialmente nos próximos anos, como está previsto já para este ano, que atingirá os 85 por cento do PIB. É aqui que está o 'calcanhar de aquiles' da economia portuguesa e que tanto tem sofrido com o ataque dos mercados internacionais.

É que, perante as perspetivas de crescimento da economia, os mercados apostam que a dívida pública irá mesmo crescer exponencialmente. A única forma de Portugal alterar a situação é dar sinais exteriores de que o seu Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é mesmo para cumprir, nomeadamente ao nível do crescimento das exportações e, consequentemente, do PIB. A verdade é que, ao nível das exportações, Portugal está dependente do crescimento económico da zona euro, onde estão os seus parceiros comerciais.

É nesta matéria que, ao contrário dos gregos, Portugal tem alguns pergaminhos. Enquanto as previsões e as estatísticas dos gregos está avolumada de asteriscos porque deixaram de ser credíveis, Portugal tem, apesar das dificuldades que a economia portuguesa enfrenta, tem mais credibilidade do seu lado e um histórico de reduução de défice nos últimos anos.

Não só porque, desde a sua entrada na então Comunidade Económica Europeia, os portugueses têm cumprido com as suas obrigações e metas fixadas, mas também porque os sucessivos governos têm demonstrado que, quando toca a reunir, são capazes de mobilizar o país para conseguir continuar num dos blocos económicos mais ricos do mundo.

PUB

PUB

PUB

PUB