Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O secretário-geral do PCP disse em Santarém que «falta coragem» ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, «para dizer que é preciso rasgar a Constituição» e exortou o PS a «não ficar à espera sentado».
O secretário-geral do PCP disse em Santarém que «falta coragem» ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, «para dizer que é preciso rasgar a Constituição» e exortou o PS a «não ficar à espera sentado».
Jerónimo que Sousa, que encerrou este domingo um comício do PCP em Santarém, referia-se à declaração proferida no sábado por Pedro Passos Coelho no encerramento das Jornadas Parlamentares do PSD e do CDS/PP, de que "é preciso refundar o memorando e fazer reformas profundas do Estado".
Referindo o apelo do primeiro-ministro ao PS para que participe nessa "refundação" do memorando de entendimento com a 'troika', o secretário-geral do PCP lamentou que o líder socialista, juntamente com "alguns comentadores e analistas", tenham, "feito anjinhos, a que só faltavam asas", achado que Passos Coelho "precisa de explicar melhor".
Para Jerónimo de Sousa, "é certo que falta coragem a Passos Coelho para dizer que é preciso rasgar a Constituição, rasgar as páginas da Constituição" económica, laboral, as que referem o direito universal e tendencialmente gratuito à saúde, à educação, à Segurança Social e à Justiça e as que "consagram que a soberania reside no povo e não em Bruxelas ou na Alemanha".
O líder comunista acusou os partidos no Governo de estarem "a violar a Constituição", por estarem "contra a Constituição e não com a Constituição".
Lamentando não ver os socialistas na "luta de resistência, a mais difícil", Jerónimo de Sousa acusou o PS de estar "corroído por uma insanável contradição: a de ter de parecer oposição, mas no essencial estar de acordo com este rumo para o desastre".
A "solução" encontrada pelo PS foi "dar um salto em frente e chutar para uma das causas da situação - a natureza do rumo da União Europeia - a resolução dos problemas para os quais não tem solução num quadro nacional", afirmou.
"Não vemos o PS neste combate. Diz ele que espera por 2015 para então tomar conta do poder. 2015, com esta política, com este Governo, onde estaremos? Não, o PS não pode ficar à espera sentado que o poder lhe caia no regaço, enquanto outros lutam contra esta política e este Governo. A alternativa a este Governo não pode esperar por 2015", acrescentou.
Jerónimo de Sousa reafirmou como "verdades inquestionáveis" que o país só sairá da crise e só se desenvolverá se produzir mais, e se acompanhar essa criação de riqueza por uma distribuição mais justa, e que nenhum país consegue pagar a sua dívida, "sobretudo se for muito elevada, empobrecendo e destruindo a sua capacidade produtiva".
No seu entender, com a política que está a seguir, o Governo "está a preparar é a entrada de uma segunda dose do pacto de agressão, do assalto à riqueza nacional e à vida dos portugueses".
O secretário-geral do PCP tem vindo a percorrer o país no âmbito da preparação do XIX Congresso do partido, que se vai realizar no final de novembro, tendo hoje apelado também à participação na greve geral convocada pela CGTP para o próximo dia 14
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