Introduza pelo menos 5 caracteres.
img
Região 21 de outubro de 2026

Zero reconhece redução da central solar mas diz que ainda é insuficiente

Por: Diário Digital Castelo Branco

A associação ambientalista Zero reconheceu hoje que a reformulação ao projeto inicial da central fotovoltaica Sophia é significativa, mas ainda insuficiente, pelo que emitiu parecer desfavorável à versão atual e indicou as condições que permitiriam rever a posição.

No dia em que termina a segunda consulta pública da central solar fotovoltaica Sophia, a Zero reconheceu a redução do projeto, mas considerou que continua abaixo dos padrões mínimos que devem ser exigidos.

“A nova versão surge após um parecer desfavorável da Comissão de Avaliação, em dezembro de 2025, e de uma consulta pública que reuniu cerca de 12.700 participações. A Zero reconhece que a reformulação é significativa e que responde a várias das críticas feitas em 2025”, afirmou, em comunicado enviado à agência Lusa, a associação ambientalista.

Contudo, a Zero disse que o projeto reformulado “ainda não atinge sequer o padrão exigido às centrais instaladas nas zonas de aceleração das energias renováveis, as áreas de menor sensibilidade do país e, por isso, emite parecer desfavorável à versão atual, indicando as condições que permitiriam rever essa posição”.

Em setembro, a multinacional britânica promotora da central solar fotovoltaica Sophia reduziu a capacidade instalada do projeto em 34% na reformulação que submeteu à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).

“Relativamente à capacidade instalada, é feita uma redução de 34%, de 867MWp (Megawatt pico) para cerca de 573MWp. Neste contexto, a área vedada do projeto é reduzida em 32% e o número de núcleos vedados diminui de 44 para 22, uma redução de 50%”, explicou a Lightsource BP na informação disponibilizada à agência Lusa.

O projeto inicial abrangia os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, e uma capacidade instalada de 867 MWp.

A área ocupada do projeto por módulos fotovoltaicos era de 390 hectares, 435 hectares considerando todas as infraestruturas, e um total de 1.734 hectares de área vedada.

A Zero sublinhou ainda que estas alterações mostram que a avaliação de impacte ambiental e a participação dos cidadãos são essenciais para se chegar a compromissos que tenham em consideração todas as partes.

“O projeto continua a ter más práticas e não reduziu suficientemente as áreas contínuas de painéis solares”, sustentou.

Os ambientalistas explicaram que fora das zonas de aceleração a exigência não deve ser menor e relembraram que, em agosto, o Governo aprovou o Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER), que define as áreas de menor sensibilidade para instalar centrais e as regras que aí devem ser cumpridas.

“Essas regras aplicam-se às zonas de aceleração, onde os projetos beneficiam de um licenciamento simplificado. A central de Sophia fica fora dessas zonas, num território com mais valores naturais, maior contestação e sujeito a avaliação de impacte ambiental”, vincou.

Defenderam também que seria incoerente que um projeto situado num território mais sensível “fosse avaliado com uma bitola menos exigente do que a aplicada nas áreas de menor sensibilidade”.

Para a Zero, essas regras são a referência mínima de boas práticas e é esse o padrão que o país deve esperar de todos os projetos fora das zonas de aceleração.

Partilhar:

Relacionadas

Link copiado!