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Região 20 de outubro de 2026

Sophia: Quercus apela à participação massiva na consulta publica de amanhã

Por: Diário Digital Castelo Branco

A consulta pública da mega-central solar Sophia termina já esta 4ªfeira, 21 de outubro. A mobilização é intensa – os movimentos locais e muitos cidadãos estão a fazer um óptimo trabalho de divulgação e de apoio às participações que crescem de hora para hora.

Em nota e imprensa, a Quercus refere que a multinacional Lightsource BP (LBP) organizou, em Setembro, três sessões públicas para divulgar a redução da potência, da área e dos impactos ambientais. Essas reduções – 34% da potência e 35% da área ocupada por painéis – terão resultado da escuta activa junto das populações e da análise das 12.570 reprovações. Em vez de um consentimento informado a tal escuta activa, como bem foi desmontado na sessão do Fundão por elementos de movimentos locais, não passou de um logro com a utilização indevida de inúmeros logótipos, nomeadamente da Quercus, para quem a LBP enviou emails que não obtiveram resposta.

O diálogo supostamente pretendido, e os abraços do moderador das sessões Jorge Gabriel, não ocorreu e nunca poderá ocorrer. Para haver diálogo é preciso que os interlocutores estejam de boa fé e a LBP apenas visa a manipulação da opinião pública, como ficou bem patente. Mesmo que as reduções anunciadas se concretizassem, a escala do projecto arrasa com os bens naturais, agrícolas, culturais e socioeconómicos locais. A multinacional confrontou-se com cidadãos bem informados, cientes do que lhes pode ser tirado e determinados a defender a sua identidade enraizada no território – não se abandona o que se ama.

Em relação à diminuição da potência e da área nada é o que parece.Será que com a aprovação desta reformulação se pretende também aprovar uma futura ampliação, recuperando o projeto anterior? É que o Dec.Lei 130/2026 de 29 de Junho, permite um futuro aumento de 50% da potência detida sem necessidade de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). E o aumento de potência implica ampliar a área de painéis. Não será essa a justificação para que a área de estudo passe de 3.542ha a 3.978ha , um pouco mais que a área perdida no Fundão?

Verifica-se um investimento no armazenamento da energia,os 60 contentores de baterias, da versão anterior, passaram a 288. Há pois uma mudança na estratégia de venda de energia muito adequada às necessidade dos centros de dados. Sendo aprovada esta central será um chamariz para estas unidades devoradoras de água e de energia que estão a ser vivamente contestadas pelas populações afectadas.

Para além de muitos outros aspectos inaceitáveis o consumo de água é uma peça chave num território com este recurso a escassear. No projecto anterior constava a quantificação do consumo para as fases de construção e de exploração, neste está omissa. A LBP foi questionada em todas as sessões mas nunca respondeu.

Em relação à biodiversidade a Quercus considera que a combinação entre perda permanente de habitat e pressão cumulativa significativa sobre a fauna constitui um fundamento substantivo para a não aprovação. A reformulação reduz algumas afectações, mas mantém perdas e pressões que o próprio relatório reconhece como relevantes e não minimizáveis.

Enquanto os conflitos ambientais se espalham pelo país os cidadãos organizam-se para exigir "Transparência e Respeito pela Voz das Populações e dos Territórios" num Mega-Protesto cuja primeira acção será uma manifestação em Lisboa, a 21 de Novembro. Esta iniciativa é uma proposta do grupo que tem organizado os protestos contra as mega-central Beira e Sophia, dada a escala dos conflitos priorizou-se a urgência de unir a diversidade dos protesto numa voz comum.

 

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