Por: Diário Digital Castelo Branco
Esta ação representa um passo decisivo para os ecossistemas fluviais da bacia do Tejo, aplicando soluções que articulam engenharia, restauro ecológico e salvaguarda do património natural e cultural. O objetivo principal centra-se na melhoria do estado de conservação dos bosques aluviais e da biodiversidade associada.
O rio Erges (conhecido em espanhol como río Eljas) é um curso de água internacional que nasce na Serra de Gata, em Espanha, e define a fronteira entre Portugal e Espanha ao longo de cerca de 50 quilómetros do seu percurso. Sendo um afluente da margem direita do rio Tejo, este rio banha os concelhos de Idanha-a-Nova e Castelo Branco, assim como a província espanhola de Cáceres.
Segundo nota de imprensa da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, os trabalhos em curso consistem na remoção integral dos elementos desativados de dois antigos açudes obsoletos situados na envolvente do rio Erges, próximo da ponte romana de Segura, concelho de Idanha-a-Nova. Estas estruturas interrompem atualmente o fluxo natural da água e criam barreiras à fauna. A eliminação destes obstáculos vai restabelecer o livre escoamento do rio, a circulação de sedimentos e a mobilidade das espécies aquáticas, beneficiando diretamente cerca de 70 quilómetros deste curso de água internacional e ligando-o com maior eficácia aos seus afluentes e ao próprio rio Tejo.
A relevância ecológica da intervenção é demonstrada pelos trabalhos de monitorização já realizados na zona. Durante as amostragens, a equipa do Serviço de Pesca da Junta da Extremadura identificou exemplares de verdemã-do-Alagón (Cobitis vettonica). Esta espécie endémica e classificada como ameaçada de extinção depende exclusivamente de habitats bem conservados e demonstra alta sensibilidade à fragmentação das linhas de água, o que valida a necessidade de restabelecer a continuidade do leito do rio.
Este projeto técnico resulta de um amplo consenso institucional e transfronteiriço entre Portugal e Espanha. O plano foi delineado após visitas técnicas e reuniões de trabalho que envolveram os parceiros do projeto, nomeadamente a Universidade de Évora, a Universidade Politécnica de Madrid e as empresas Ambienta e EcoSalix, a par de entidades oficiais de ambos os países. Entre os participantes contam-se a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, a União de Freguesias de Zebreira e Segura, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA – ARH do Tejo e Oeste), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Confederação Hidrográfica do Tejo, o Serviço de Pesca da Junta da Extremadura e a Direção-Geral da Água de Espanha.
A intervenção do rio Erges tem por objetivo assegurar o equilíbrio entre a reabilitação ambiental, as exigências de segurança decorrentes dos estudos de modelação hidráulica e a preservação da identidade local. Desta forma, os antigos moinhos históricos associados às barreiras manterão o seu valor patrimonial salvaguardado. O progresso ambiental da obra continuará a ser avaliado de forma contínua através de um protocolo de monitorização focado na qualidade da água, nos macroinvertebrados, nos macrófitos e na comunidade de peixes, comparando o estado do rio antes e após a conclusão dos trabalhos.