Por: Diário Digital Castelo Branco
A presidente da Junta de Freguesia de Louriçal do Campo, Gorete Serra, eleita pela coligação SEMPRE por todos (PSD/CDS-PP), aproveitou a última sessão da Assembleia Municipal de Castelo Branco para manifestar a firme oposição da freguesia à eventual instalação de grandes centrais fotovoltaicas na encosta sul da Serra da Gardunha e na envolvente da Barragem da Marateca, áreas identificadas no Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER), atualmente em consulta pública.
Numa intervenção marcada pela defesa do território, da paisagem e do futuro da região, a autarca alertou para “os impactos ambientais, paisagísticos e económicos que um projeto desta dimensão poderá provocar, defendendo que a transição energética deve ser compatibilizada com a preservação dos territórios de maior valor natural”.
"Não venho dizer não às energias renováveis. Venho dizer que há um caminho melhor. A Gardunha é um património único e não pode ser transformada num campo industrial de painéis solares", afirmou.
Ao longo da intervenção, Gorete Serra recordou que a Serra da Gardunha representa um dos maiores ativos naturais e turísticos do concelho de Castelo Branco, destacando os percursos pedestres e de BTT, a observação de aves, as cascatas do Ocreza, o património geológico, a gastronomia, os produtos endógenos e a hospitalidade das populações locais como fatores diferenciadores que devem continuar a ser valorizados.
Para a presidente da Junta, é precisamente essa identidade que constitui uma oportunidade de desenvolvimento sustentável para o territórios: “quero uma Gardunha cheia de pessoas e não de painéis. Quero visitantes, famílias, praticantes de desporto de natureza, turismo sustentável e mais oportunidades para quem vive e investe neste território. O nosso futuro passa por valorizar aquilo que nos distingue e não por destruir aquilo que nos torna únicos."
A autarca fez ainda questão de sublinhar que esta posição não representa uma rejeição da produção de energia renovável, defendendo antes uma escolha criteriosa dos locais onde estes projetos devem ser implementados.
"Existem áreas industriais, antigas zonas mineiras, terrenos degradados e milhares de coberturas de edifícios onde estes investimentos podem ser concretizados sem colocar em causa ecossistemas de elevado valor ambiental. O que não existe é outra Serra da Gardunha. Aquilo que aqui se destruir nunca mais poderá ser recuperado”, sublinhou.
No final da intervenção, Gorete Serra apelou à participação da população na consulta pública do PSZAER, considerando que este é um momento determinante para o futuro da freguesia e de toda a região.
"Ainda vamos a tempo de defender aquilo que é nosso. Nenhuma compensação financeira devolve uma paisagem destruída, um habitat perdido ou a identidade de uma comunidade. A Gardunha merece ser protegida e as populações devem fazer ouvir a sua voz”, finalizou.
A coligação SEMPRE por todos (PSD/CDS-PP) considera que a defesa da Serra da Gardunha deve unir autarquias, associações e cidadãos em torno de um objetivo comum: preservar um património natural, paisagístico e identitário único, garantindo um modelo de desenvolvimento que respeite o território e deixe um legado positivo às gerações futuras.