Por: Diário Digital Castelo Branco/Lusa
O presidente da Câmara de Castelo Branco disse que se opõe à instalação de uma central fotovoltaica na Serra da Gardunha, caso esta ocupe áreas protegidas, ocupe solos agrícolas ou tenha forte impacto na paisagem.
Na sessão pública do executivo realizada hoje, Leopoldo Rodrigues informou os vereadores de que reuniu com um promotor que pretende instalar um parque eólico e solar nas proximidades da Serra da Gardunha, no concelho de Castelo Branco, cujo investimento ronda os 1,2 mil milhões de euros.
O autarca explicou que reuniu com o grupo investidor (Eurowind) há cerca de dois ou três meses que lhe comunicou que tinha licença para a instalação de um parque misto e que queria fazer o investimento em Castelo Branco.
“Fui muito claro quanto às condições das quais a Câmara não abdica: A não utilização de espaços agrícolas, a não utilização de áreas protegidas e a instalação em zonas que tivessem forte impacto na paisagem. Fiquei convicto que tinham percebido”, vincou.
Porém, decorridos alguns meses, um consultor que trabalha para o grupo investidor pediu nova reunião com a Câmara, no sentido de arrendar cerca de sete hectares de terreno propriedade do município, precisamente, na Serra da Gardunha.
“Fiquei surpreso com a proposta para alugar os sete hectares para a instalação de uma central fotovoltaica e transmiti ao consultor que devia haver equívoco. O próprio consultor não sabia das premissas que tinha transmitido ao investidor”, explicou.
Leopoldo Rodrigues disse ainda que passados poucos dias foi novamente abordado pelo grupo que apresentou a área de instalação da central fotovoltaica recusada no imediato.
“Nós manifestámos a nossa discordância absoluta, apesar das promessas do investidor, nomeadamente contrapartidas de sete milhões de euros para a Câmara Municipal, entre outras. Reiterámos os nossos princípios. É inaceitável o uso da serra [Gardunha] neste projeto”, frisou.
Segundo o autarca, eleito pelo PS, daqui a uma semana irá reunir, novamente, com o grupo investidor e mantém a posição que assumiu nas três premissas que apresentou.
“Trata-se de um assunto sensível e importante. Não sou contra a produção de energias alternativas, mas há regras, limites e linhas que não estamos disponíveis para ultrapassar”, disse.
A vereadora do PSD/CDS-PP Margarida Lourenço Duarte, de entre vários assuntos, questionou o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco sobre o caso de interdição do acesso ao cais de Malpica do Tejo.
Trata-se de um assunto que se arrasta há anos e que coloca em confronto a população daquela localidade e o proprietário de um terreno por onde passa um caminho que dá acesso ao cais situado junto ao rio Tejo vedado, com o argumento de se tratar de caminho privado.
O caso foi para tribunal e, neste momento, ainda não há uma decisão definitiva sobre se o acesso é público ou privado.
E, aproveitando a intervenção de Leopoldo Rodrigues onde mencionou a manifestação feita em Monfortinho devido ao IC31, instou, com alguma ironia, que se devia fazer uma manifestação em Malpica do Tejo devido à interdição do caminho de acesso ao cais.
O presidente da Câmara explicou à vereadora todo o processo de envolvimento do município neste assunto e realçou que neste momento se encontra “no domínio da Justiça [Tribunal]”.
“Seria uma afronta [à Justiça], o presidente da Câmara fazê-lo [instar à manifestação]. Aguarda-se uma decisão [judicial]”, frisou.
O autarca foi ainda confrontado, por parte do vereador a do PSD/CDS-PP José Augusto Alves, com uma moção aprovada em dezembro de 2025 sobre a instalação de ATM-Multibanco nas freguesias.
O vereador quis saber quais as diligências feitas para a respetiva instalação dos ATM, o que motivou alguma troca de palavras e de argumentos entre ambos.
Contudo, ficou o compromisso do presidente de instalar esses ATM, apesar de haver cada vez menos interesse por parte das instituições bancárias.
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