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Região 9 de junho de 2026

Incêndios: Comandante da Beira Baixa desconhece "factos concretos" sobre negócios ilícitos

Por: Diário Digital Castelo BrancoBranco/Lusa

O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Beira Baixa disse hoje que nunca teve conhecimento de “factos concretos” de ilícitos associados aos incêndios rurais e defendeu que o problema dos fogos é estrutural e não da supressão.

“Naturalmente que não. Nunca tive conhecimento de factos concretos [negócios e práticas ilícitas relacionadas com incêndios rurais] e caso tivesse teria atuado nos termos legais”, afirmou Pedro Nunes no parlamento, onde foi ouvido hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios rurais.

Questionado, por diversas vezes, pelos deputados dos diversos grupos parlamentares, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Beira Baixa vincou que “nunca teve nem tem conhecimento” de ilícitos, mas realçou que, apesar disso, “não consegue garantir que não haja casos”.

“Que eu tenha tido conhecimento, não”.

Quanto ao funcionamento do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), Pedro Nunes sublinhou que, estando há cerca de 40 anos no terreno como operacional, não conhece nenhum sistema melhor do que este.

“Julgo que o sistema de comunicações [SIRESP] é bom. Tem redundâncias que mais nenhum outro sistema tem. Mas demonstrou pouca resiliência quando sujeito a pressão ou quando desconectado da rede elétrica nacional”, frisou.

Segundo este responsável, o problema central dos incêndios rurais passa pela floresta e é estrutural.

“Julgo que não é possível limpar o país todo, mas temos de criar condições e, de uma vez por todas, temos de o perceber e criar condições para não termos incêndios de 50 mil hectares ou de 10 mil hectares. Também não é possível apagar os fogos todos no momento inicial”, disse.

Pedro Nunes insistiu na necessidade de se diminuir a carga combustível na floresta portuguesa e, sobre os meios que tem disponíveis, explicou que são muito semelhantes aos do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) de 2024 e 2025.

Questionado sobre o papel da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), o comandante sub-regional foi claro em afirmar que, na Beira Baixa, o seu papel foi “inócuo”.

“Não trouxe nada do ponto de vista da supressão. A AGIF não nos acrescentou nada”, sustentou.

Pedro Nunes foi ainda questionado sobre a evolução do dispositivo e sobre aquilo que continua a faltar ao sistema.

E, sobre isso, afirmou que o país está melhor face a 2017, sobretudo no que diz respeito ao apoio à decisão.

“O problema é estrutural. Temos de recriar forma para que as pessoas possam regressar ao mundo rural. Os combustíveis crescem diariamente. Podemos comprar a tecnologia toda, mas, perante determinadas condições, o fogo é imparável. Enquanto não atacarmos o problema de fundo, é escusado. Se a tecnologia fosse a solução, então o problema estava resolvido”, disse.

Este responsável disse ainda que após os incêndios de 2017 foi criado mais um conjunto de forças e estruturas no âmbito dos incêndios rurais.

“Devíamos criar, na minha opinião, uma única força para intervir em situações complexas. Andámos a distribuir os recursos. No fundo, é replicar o que se faz em Espanha. Têm as valências todas [numa única força]. Nós, em Portugal não temos. Pedimos um reforço, vêm 20 [operacionais] de um lado, 30 do outro…”, exemplificou.

Pedro Nunes disse ainda que o programa Aldeia Segura foi “diabolizado” e que na Beira Baixa a “adesão é fraca”, apesar de o considerar “bom”.

“Na Beira Baixa, os incêndios rurais são o maior risco e a maior ameaça para o território”, concluiu.

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