Por: Diário Digital Castelo Branco/Lusa
Uma árvore caída na depressão Kristin e placas de xisto de uma aldeia são protagonistas de “Até ao fim do mundo”, que Fernando Mota estreia na sexta-feira em Castelo Branco a partir de residências artísticas em quatro geoparques nacionais.
O artista sonoro, performer e construtor de instrumentos musicais resgatou nas Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, uma árvore dos destroços da tempestade, construindo com ela um novo cordofone.
À aldeia da Barroca, no Fundão, distrito de Castelo Branco, Fernando Mota foi buscar placas de xisto - ou não fosse aquela uma das Aldeias de Xisto - para criar um xistofone.
Os dois instrumentos originais são elementos centrais no novo projeto multidisciplinar, em que o criador cruza geologia e exploração musical de elementos naturais com a literatura e o vídeo, revelou a organização.
Com Joana Bértholo (texto) e Mário Melo Costa (vídeo), Fernando Mota construiu “Até ao fim do mundo”, obra que “parte das pedras, das rochas e do tempo que elas guardam” para fazer música, poesia e imagem.
Desenvolvido em colaboração científica com o Geopark Naturtejo, o Geoparque Oeste, o Geoparque Açores e o Estrela Geopark, o projeto foi desenvolvido em residência nesses locais de reconhecida relevância geológica do território português.
“Faremos uma reflexão poética e filosófica acerca das várias conceções de tempo de várias culturas ao longo da história, dos tempos de vida dos mais variados organismos vivos do nosso planeta e da relação entre o ‘nosso’ tempo de vida com o conceito mais vasto do tempo profundo”, antecipou Fernando Mota.
Do confronto entre o tempo geológico com o tempo humano nasce um espetáculo, uma instalação audiovisual e um filme, “Montanhas efémeras”.
Mário Melo Costa filmou as quatro residências artísticas do projeto “Até ao fim do mundo” em Castelo Branco, Lourinhã, Capelo (ilha do Faial, Açores) e Guarda, para, “a partir das paisagens, das formações geológicas e dos vestígios do tempo profundo”, filmar uma proposta de “reflexão sensorial e poética sobre a escala do humano face à duração da Terra”.
O novo espetáculo de Fernando Mota é mais um capítulo da pesquisa artística que tem desenvolvido há vários anos em torno das possibilidades expressivas dos elementos naturais, como “Antes da chuva sopra o vento”, “Concerto para uma árvore” ou “Passagem secreta”.
“Até ao fim do mundo” estreia na sexta-feira, às 21:30, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco. No sábado, às 17:00, é revelado o filme “Montanhas efémeras”, de Mário Melo Costa, na Fábrica da Criatividade, na mesma cidade.
Depois, o espetáculo e a curta-metragem são apresentados no dia 20 no Teatro Municipal da Guarda, seguindo para Torres Vedras, com projeção do filme no dia 26 e performance musical “Até ao fim do mundo” no dia 27.
Lourinhã (04 de julho), Coimbra (26 de julho), Portalegre (11 de outubro) e Bragança (17 de dezembro) são outras datas confirmadas na digressão nacional de apresentação do novo trabalho de Fernando Mota.
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