Penamacor: Nova colónia reprodutora de abutre preto confirmada na Reserva Natural da Serra da Malcata

A Rewilding Portugal confirmou no início de Novembro a existência de uma colónia de abutre-preto (Aegypius monachus) em que se confirmou sucesso reprodutor em vários casais na Reserva Natural da Serra da Malcata. 

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  • Publicado: 2021-11-29 19:36
  • Autor: Diário Digital Castelo Branco

Esta é uma excelente notícia para uma espécie que está ainda criticamente ameaçada em Portugal e da qual apenas se conhecem cerca de 40 casais distribuídos em duas colónias principais no Parque Natural do Tejo Internacional e no Alentejo. No Nordeste português apenas se conheciam dois casais no Parque Natural do Douro Internacional e um casal na Reserva da Malcata em que o ICNF confirmou sucesso reprodutor no verão de 2021. A descoberta de mais casais coloca a Reserva da Malcata como o terceiro maior núcleo reprodutor de abutre-preto em Portugal.

Até à data, a Rewilding Portugal confirmou um total de três ninhos, podendo ainda existir mais casais nesta colónia. Por isso, nos próximos meses continuarão os esforços de monitorização. A descoberta dos ninhos foi possível graças ao seguimento dos movimentos de um juvenil que foi marcado pela Rewilding Portugal com emissor GPS/GSM no dia 26 de novembro, em colaboração com o CIBIO. O seguimento dos movimentos deste juvenil permitiu à equipa da Rewilding Portugal descobrir o primeiro dos três ninhos onde o juvenil, nascido na Reserva, ainda coabita com os seus progenitores. No segundo ninho, observou-se ainda outro juvenil e no terceiro um casal. 

A marcação de abutres-pretos com emissor GPS/GSM está a permitir obter mais informação sobre a ecologia da espécie. O foco do trabalho realizado pela Rewilding Portugal é conseguir mais informação sobre a sua ecologia espacial e alimentar e, em particular, como utilizam o habitat, as áreas protegidas e Rede Natura 2000 e os recursos alimentares no Grande Vale do Côa e qual o impacto das ações de renaturalização desenvolvidas pela organização, por exemplo a promoção de condições para o aumento do número de herbívoros silvestres, introdução de cavalos semisselvagens e promoção do licenciamento de Áreas Privadas de Alimentação de Aves Necrófagas, onde cadáveres de ruminantes ficam disponíveis para os abutres em explorações pecuárias, ao invés de ser enterrados ou recolhidos (prevista no PACAN – Plano de ação para a conservação de aves necrófagas, aprovado em agosto de 2019).

Este trabalho da Rewilding Portugal também está a ser desenvolvido com outras aves necrófagas, como o grifo (Gyps fulvus), desde 2019, em colaboração com o CIBIO e financiado pela fundação ARCADIA no âmbito do Endangered Landscapes Programme e das ações de recuperação das populações de aves necrófagas na Europa coordenadas pela Rewilding Europe. Existem várias ameaças ao abutre-preto em Portugal, choques e eletrocussão com linhas elétricas, envenenamento, perturbação humana e destruição de habitat. As aves necrófagas desempenham um papel importante na remoção de cadáveres da natureza, contribuindo para a reciclagem da matéria morta e evitando a sua acumulação, eliminando potenciais fontes de doenças. São o último elo das cadeias alimentares, e uma peça fundamental num ecossistema saudável.

 

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