Empresários da Beira Baixa pedem apoio urgente ao Governo

O presidente da Associação Comercial e Empresarial da Beira Baixa (ACICB) exige apoios do Estado às empresas e empresários e garante que muitas firmas não irão resistir à crise.

  • Economia
  • Publicado: 2021-07-22 00:00
  • Autor: Diário Digital Castelo Branco

“Não defendemos que as empresas sejam subsidiadas pelo Estado. Contudo, na situação em causa do Covid, as [empresas] que foram obrigadas a fechar têm que ser, obrigatoriamente, auxiliadas. Portugal tem uma das maiores taxas de PME [Pequenas e Médias Empresas] da União Europeia que não teve apoios”, afirma o presidente da ACICB, Sérgio Bento.

Este responsável foi reeleito recentemente presidente da ACICB para o quadriénio 2021/2024, sendo que a única lista a sufrágio obteve 27 votos.

No discurso de tomada de posse, Sérgio Bento não poupou em criticas e em recados ao Governo.

“Está na hora de o Estado também fazer pelas nossas empresas e pelos nossos empresários. Sem apoios do Estado, muitas delas não vão conseguir resistir a esta crise”, refere.

Segundo o presidente da ACICB, Portugal teve a maior taxa de PME “com quebras superiores a 40% sem apoios de Estado”.

“Os quatro mil milhões de euros que o Governo se prepara para injetar na TAP permitiriam dar 50 mil euros a cada um dos 80 mil estabelecimentos de restauração, cafés e outros que se encontram há mais de um ano a braços com esta crise”, sustenta.

Defende ainda que o acesso a apoios para empresários em nome individual, micro, pequenas e médias empresas “é absolutamente necessário para a sua sobrevivência”.

“Confesso que víamos o Plano de Recuperação e Resiliência como uma lufada de ar fresco para os nossos empresários, contudo, com o passar do tempo, com a análise do mesmo e com as notícias que têm vindo a público, começamos a aperceber-nos que, provavelmente, nada chegará até estas realidades. Temos que ter alternativas”, sublinha.

Sérgio Bento entende que os tempos que se vivem são conturbados e de grande incerteza quanto ao futuro, mas defende que não se pode baixar os braços.

“Temos que identificar as nossas fragilidades, as nossas fraquezas e dotarmo-nos de meios para as poder ultrapassar e voltarmos a ser competitivos. A covid trouxe-nos novos desafios e pôs a descoberto algumas debilidades das nossas empresas. Cabe-nos arregaçar as mangas e por mãos à obra”, disse.

O responsável voltou a recordar as palavras que proferiu em maio, durante as comemorações do 110.º aniversário da ACICB, onde disse esperar que haja "coragem política" para tomar decisões, "como acabar com as portagens na A23", pensar e executar o regadio a sul da Gardunha, que "a barragem do Alvito possa ser uma realidade e que a construção do IC31 possa ter início nos próximos dois a três anos".

Elencou ainda um conjunto de temas, sobre os quais defende que é necessário efetuar uma reflexão e que podem ser “absolutamente decisivos” para ajudar a ultrapassar a atual crise, como o aumento do salário mínimo nacional, repensar os apoios sociais (subsídio de desemprego, rendimento mínimo de inserção), a desburocratização dos procedimentos administrativos, entre outros.

“Estamos totalmente disponíveis para, em conjunto, encontrarmos as melhores alternativas/ soluções para os nossos empresários”, sublinha.

O presidente da ACICB voltou a afirmar que as associações comerciais “têm atravessado um grande deserto, sem qualquer apoio dos sucessivos governos”.

“Esperamos que os nossos governantes olhem para nós e nos considerem parceiros para ajudar no desenvolvimento da região onde nos inserimos. Não temos quaisquer apoios, as nossas receitas são pouco mais do que resulta do pagamento das quotas dos nossos associados”, conclui.

A ACICB tem cerca de mil associados e abrange todos os concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB): Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Proença-a-Nova, Penamacor e Vila Velha de Ródão.

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