Mulheres lideram em 3 Casas do Benfica do Distrito de Castelo Branco

Benfiquistas, determinadas e lutadoras. Assim são as líderes das Casas do Benfica na Beira Baixa com quem falámos a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala nesta 2ª-feira, dia 8 de março.

  • Desporto
  • Publicado: 2021-03-08
  • Autor: Diário Digital Castelo Branco

ANA JACINTO (presidente da Casa Benfica Proença-a-Nova)

"As pessoas ficam agradavelmente surpreendidas e noto isso desde o primeiro dia"

1. Quais são os desafios que se colocam a uma mulher na gestão de uma Casa do Benfica?

1. Dirigir uma Casa é igual. A nossa Casa é diferente das Casas tradicionais. Não temos bar, estamos mais focados em atividades desportivas e temos uma loja. O bar poderia ser algo que viesse contra nós, mulheres. Nunca senti essas diferenças. As obrigações familiares de uma mulher é que ainda são diferentes das de um homem, apesar de as coisas estarem a mudar. Eu, por exemplo, tenho um bebé com três meses. Temos de gerir a parte profissional, a pessoal e a associativa. A gestão do tempo é que é mais uma coisa que temos de fazer. Não vejo grandes dificuldades em ser mulher e gerir [há três anos] uma Casa do Benfica.

2. Qual é a reação das pessoas ao se aperceberem que a gestão é feita no feminino?

2. Sinto que ficam agradavelmente surpreendidas. Quando tenho de dizer que sou a presidente, as pessoas exclamam: "Ah, muito bem". Não estão à espera, mas é o quebrar das barreiras, em que as mulheres não se envolviam nestas coisas e ficavam em casa. Ficam agradavelmente surpreendidas e noto isso desde o primeiro dia.

3. Sendo mulher, como é exercer a liderança em tempos de pandemia?

3. Os meus colegas, os elementos da direção, têm aquele respeito por eu ser mulher. Mas somos todos amigos. Neste momento de pandemia, quem me está a ajudar são os elementos femininos. Neste caso, os elementos masculinos cumpriram as minhas ordens e estão em casa. A força do feminino teve mais garra [risos]. Não estou a falar mal deles, mas foram elas que se mexeram. Não sei se é por ser uma mulher que vai ao leme, mas elas responderam-me mais prontamente.

4. Que adaptações foram feitas na Casa para superar as restrições da COVID-19?

4. Tivemos de nos adaptar. O primeiro confinamento foi mais difícil, porque ninguém sabia o que aí vinha e fechámos tudo. Quando nos deixaram reabrir as portas, tentámos de tudo. Fizemos redução de horários, aumentámos as turmas das atividades desportivas. Adaptámos a loja. No segundo confinamento já não foi uma surpresa, sabíamos com o que tínhamos de lidar e preparámo-nos com as aulas online. Os professores também aderiram ao projeto, que é inovador. É difícil estar do outro lado e dar hip-hop ou cycling. As aulas são às 7h00 e as pessoas levantam-se para assistir. A loja tem uma secção de gomas e temos um funcionário a fazer entregas porta a porta. Temos, ainda, um catálogo de produtos do Sport Lisboa e Benfica para os vender e tentar ganhar algum dinheiro. Não parámos.

 

SANDRA CARVALHO (membro da Direção da Casa Benfica Vila de Rei)

"Dão-nos sempre força e ânimo para continuar a difundir a Casa"

1. Quais são os desafios que se colocam a uma mulher na gestão de uma Casa do Benfica?

1. Tivemos a infelicidade de atravessar esta fase da pandemia, que é a maior dificuldade, porque não podemos fazer qualquer tipo de desenvolvimento que queiramos fazer pela Casa. Estamos parados. Em relação às dificuldades por sermos mulheres, não considero que haja. Aceitámos este cargo com o intuito de ajudar Vila de Rei, porque é uma associação do concelho e um veículo para conseguirmos fazer algumas atividades, dinamizar a nossa comunidade e culturalmente termos diversidade na oferta. Não sentimos dificuldades por sermos todas mulheres e por não termos nenhum homem na direção. A nossa maior dificuldade é mesmo a pandemia. Crescemos ao nível das modalidades, criámos o futsal feminino, que estava no bom caminho e agora está parado. Temos a nossa escola de concertinas, que é o nosso ex-libris, e que tem sido bem dinamizada pela Andreia. Não temos tido dificuldades ou discriminações por sermos todas mulheres.

2. Qual é a reação das pessoas ao se aperceberem que a gestão é feita no feminino?

2. Claro que já ouvimos aquelas indiretas: "Se isto fosse gerido por um homem"… Mas é mais para espicaçar do que para apontar algum defeito. Até ao momento, temos recebido muitas reações positivas. Claro que cria impacto, porque não é nada normal [Órgãos Sociais inteiramente femininos], mas dão-nos sempre força e ânimo para continuar a difundir a Casa do Benfica e as nossas atividades.

3. Sendo mulher, como é exercer a liderança em tempos de pandemia?

3. Em qualquer grupo, sejam todas mulheres, sejam todos homens, ou seja misto, há sempre um confronto no debate de ideias. Felizmente, todos nos conhecemos há muito tempo, porque Vila de Rei não é muito grande. Somos todas muito unidas e fazemos o melhor que podemos pela Casa do Benfica. A mensagem, entre nós, é passada e tentamos falar todas quando há decisões a tomar. Está complicado porque está tudo parado. Há um ano que não conseguimos alcançar os objetivos a que nos propusemos. Cada pessoa tem a sua forma de pensar, mas tentamos chegar a um consenso e não há grandes dificuldades. O que queremos é manter o que já foi conseguido pela Casa, crescer e melhorar.

4. Que adaptações foram feitas na Casa para superar as restrições da COVID-19?

4. Ao nível do funcionamento da Casa, quando foi possível abrir, implementámos todas as orientações da DGS [Direção-Geral da Saúde] para termos a Casa aberta. Neste momento, não é possível. Nas modalidades, a escola de concertinas funcionou com todas as medidas sanitárias; articulámos um espaço maior com todas as precauções para que todos estivessem em segurança; no futsal, na época que ia começar, tivemos alguns contratempos. Algumas desistiram, porque têm as suas vidas e não é compatível com treinos e com a modalidade. Reajustámo-nos, fizemos um acordo de formação e íamos arrancar com uma equipa mista neste ano para competir. Neste momento, está também parado. Tentámos avançar com as modalidades de dança e com o grupo de teatro, mas não foi possível. Temos a esperança de avançar quando isto terminar.

 

ELISABETE CARVALHO (presidente da Casa Benfica Paúl)

"Tenho uma equipa cinco estrelas (...) e fazemos o nosso melhor"

1. Quais são os desafios que se colocam a uma mulher na gestão de uma Casa do Benfica?

1. Estamos todos em pé de igualdade, os homens e as mulheres. Não sinto que tenha mais dificuldades por ser mulher.

2. Qual é a reação das pessoas ao se aperceberem que a gestão é feita no feminino?

2. Ficam muito contentes. Elogiaram-me e até ficaram surpreendidos por ter dado esse passo. Não acreditam como é que eu tive coragem de o fazer. Mas alguém tinha de o fazer. Se não o fizesse, a Casa fechava e, então, eu e a minha equipa avançámos.

3. Sendo mulher, como é exercer a liderança em tempos de pandemia?

3. Tenho uma equipa cinco estrelas. Reunimos e fazemos o nosso melhor, mas estamos limitados por não haver atividades… infelizmente, para nós e para os outros. E tínhamos tantas atividades para fazer, mas não podemos.

4. Que adaptações foram feitas na Casa para superar as restrições da COVID-19?

4. A Casa está fechada e alugámos o espaço do bar a um senhor. Assim, torna-se mais complicado para ele do que para nós.

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