Zero exige suspensão de subsídios à Central de Biomassa do Fundão

A associação ambientalista Zero exigiu hoje ao Governo a suspensão da “atribuição de subsídios” às novas centrais elétricas que utilizam biomassa, no Fundão e em Viseu, uma vez que estão a queimar, “praticamente na totalidade”, madeira de qualidade.

  • Economia
  • Publicado: 2020-01-11
  • Autor: Diário Digital Castelo Branco/Lusa

A associação ambientalista Zero exigiu hoje ao Governo a suspensão da “atribuição de subsídios” às novas centrais elétricas que utilizam biomassa, no Fundão e em Viseu, uma vez que estão a queimar, “praticamente na totalidade”, madeira de qualidade.

“A Zero constatou no terreno que as duas novas centrais de biomassa de Fundão [distrito de Castelo Branco] e Viseu estão a queimar, na totalidade ou praticamente na totalidade, respetivamente, madeira de qualidade, não utilizando, como seria desejável e está contratualizado, biomassa residual”, explicita o comunicado enviado à Lusa pela associação.

De acordo com esta organização, as duas centrais, que vão receber “226 milhões de euros de subsidiação pública em 15 anos”, não contribuem para o “aproveitamento dos resíduos florestais” e redução do risco de incêndios.

Por essa razão, a Zero exige ao executivo, liderado pelo socialista António Costa, que suspenda a atribuição de subsídios a ambas as centrais até que utilizem “exclusivamente biomassa resultante da limpeza e gestão florestal”, acrescentando que a queima de troncos de qualidade “está longe de corresponder” ao “interesse público”.

A associação ambientalista reivindica ainda que seja possível comprovar e monitorizar a “proveniência e sustentabilidade” da biomassa utilizada”, e o cumprimento dos limites de ruído e de emissões poluentes fixados pela União Europeia.

A central do Fundão, "a menos de 500 metros de residências, tem levado a reclamações por parte de residentes que, na fase de testes desta central, se têm queixado de excesso de ruído e má qualidade do ar", indica o comunicado.

A Zero também reclama o cancelamento dos planos de reconversão da central “de carvão do Pego em central de biomassa”.

“A alegada conversão da central do Pego em biomassa agravaria assim a fatura dos consumidores e incentivará o abate de árvores, o que é prejudicial à luta contra as alterações climáticas”, menciona a nota, sublinhando que terá, igualmente, um “impacto negativo na balança comercial do país”, devido ao aumento das importações de biomassa.

A Zero exige ainda que sejam alteradas as normas de sustentabilidade, de modo a que “apenas seja possível o apoio público à queima de biomassa residual".

No contexto "de uma crise climática”, é necessário “dar prioridade” à captura de dióxido de carbono através “da plantação de árvores” ao invés da “emissão de dióxido de carbono para a atmosfera” decorrentes do corte e queima de árvores, acrescenta a Zero.

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