Trancoso: Novo centro de interpretação vai dar destaque às tradições judaicas

A importância da antiga comunidade judaica de Trancoso vai ser um dos destaque do novo centro de interpretação cuja construção já se encontra adjudicada, adiantou à Agência Lusa o presidente do município, Júlio Sarmento.

 

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  • Publicado: 2010-02-21
  • Autor: Diario Digital Castelo Branco
A importância da antiga comunidade judaica de Trancoso vai ser um dos destaque do novo centro de interpretação cuja construção já se encontra adjudicada, adiantou à Agência Lusa o presidente do município, Júlio Sarmento.

O autarca falava à margem dos Serões da Beira em Trancoso que decorrem este fim de semana sobre o tema “Judeus nas Beiras Através dos Tempos”.

O Centro de Interpretação Isaac Cardoso (proeminente médico judeu natural do concelho) pretende “avivar todas as referências documentais para uma investigação científica sobre as famílias judaicas, não só desta região, mas também do Norte de Portugal”.

“Será uma investigação viva que esperamos que possa ser desenvolvida durante vários anos”, destacou Júlio Sarmento.

O centro orçado em cerca de 1,2 milhões de euros vai ser construído no centro histórico que esta manhã recebeu uma visita guiada para todos os participantes nos Serões da Beira em Trancoso.

As ruas de antigos bairros judaicos, as 137 marcas e inscrições nas fachadas das diferentes construções, bem como a sua arquitetura e significado, constituem um dos roteiros culturais e turísticos de Trancoso.

“Estou a adorar descobrir isto. É algo de espetacular que eu desconhecia”, refere Arménio Abreu, um dos participantes na visita ao centro histórico.

“O mais espetacular é ver no local a explicação dada para a existência e significado destes sinais e como há resquícios nos nossos hábitos ainda hoje”, acrescenta António Dias, outro participante.

Graça Simões não esconde o interesse pela temática judaica que a levou de Coimbra a Trancoso este fim de semana e no meio da visita guiada à antiga judiaria ouviu algo que já não escutava desde os tempos da sua avó.

“Ainda há pouco falavam do hábito judaico de varrer a casa de fora para dentro”, com a crença de que a entrada é sagrada e por ali não deve passar o lixo. “Eu ouvia isso da minha avó e ela não era judia. Mas de alguma maneira sabia esse hábito”.

No centro histórico de Trancoso “existem inscrições valiosas relativamente à presença da uma comunidade muito forte, que, por exemplo, contribuiu para a construção da importante sinagoga de Amesterdão. Uma comunidade judaica da qual herdamos a Feira de Trancoso, ainda hoje uma das mais fortes da região”, evidenciou o presidente da Câmara.

Júlio Sarmento reconhece que hoje serão já poucos, “talvez umas dezenas”, os habitantes que praticam o culto judaico no município.

O Centro de Interpretação Judaica vai englobar uma sala de exposições, um pequeno templo de oração, espaço museológico dedicado ao passado da presença judaica em Trancoso e um Centro de Documentação Bibliográfico.

Para além do interesse cultural e científico, “o mundo judaico é também muito importante do ponto de vista da dinamização do turismo, porque no interior do país a nossa aposta tem que ser feito no turismo cultural”, explicou Júlio Sarmento.

De acordo com o autarca, municípios como Trancoso, Guarda, Belmonte, Castelo de Vide ou Tomar podem constituir-se numa importante rede sobre a temática.

“E aí, o mercado judeu, como seja de Israel, dos Estados unidos da América ou França podem trazem novos fluxos económicos”, concluiu.

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