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Região 7 de abril de 2016

Fundão: “Não queremos associar a marca da`Cereja´, ao pior que há nas condições do trabalho” - Paulo Fernandes

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

Como o Diário Digital Castelo Branco já tinha avançado, o Fundão vai ter um Centro de Acolhimento de Trabalho Temporário, que ficará instalado no seminário local e que visa acolher trabalhadores nacionais e estrangeiros que se deslocam para a região na época da colheita de fruta.

Como o Diário Digital Castelo Branco já tinha avançado, o Fundão vai ter um Centro de Acolhimento de Trabalho Temporário, que ficará instalado no seminário local e que visa acolher trabalhadores nacionais e estrangeiros que se deslocam para a região na época da colheita de fruta.

“Nós queremos que todas as pessoas que estejam associadas à fileira da produção da cereja tenham a sua situação legal regularizada, tenham os seus contratos de trabalho devidamente enquadrados na lei laboral e também queremos que tenham as melhores condições para desenvolverem o seu trabalho”, afirmou o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes.

O autarca falava durante a assinatura de um protocolo de parceria, que permitirá implantar este projeto de iniciativa municipal e que conta com a colaboração da Diocese da Guarda (proprietária do Seminário do Fundão), da Cerfundão e do Alto Comissariado para as Migrações.

Além deste protocolo foi também assinado o primeiro contrato com uma empresa de trabalho temporário que prevê a instalação, já no início da campanha da cereja, de 200 trabalhadores naquele espaço.

Lembrando que a colheita da cereja envolverá cerca de 1.500 trabalhadores e que as estimativas apontam para que um terço dessa mão-de-obra seja proveniente do estrangeiro ou de outras zonas do país, Paulo Fernandes destacou a importância deste passo no que concerne à responsabilidade social do município, à responsabilidade de promoção de boas práticas ambientais e de um comércio justo, bem como à estratégia de afirmar a qualidade da cereja em todas as suas vertentes.

“Não queremos de maneira nenhuma que, alguma vez, se possa associar esta marca ao que são piores práticas, ou menos boas práticas, do ponto de vista do que são as condições do trabalho”, disse.

Uma ideia partilhada pelo presidente da Cerfundão, José Pinto Castello Branco, que lembrou a importância de existirem garantias de que “na fileira da cereja tudo se passa com a qualidade e a dignidade que o fruto exige”.

Presente na cerimónia, o bispo da Diocese da Guarda, D. Manuel Felício, destacou o “pioneirismo” da iniciativa e lembrou a importância de dignificar as condições do trabalho e as condições de vida dos imigrantes que escolhem Portugal para viver.

O Alto Comissário para as Migrações, Pedro Calado, sublinhou ainda que este projeto é “motivo de regozijo para Portugal porque cumpre os pressupostos das melhores políticas de integração de migrantes no mundo” e deixou votos de que seja “inspirador para o resto do país e da Europa”.

Já Filipe Oliveira, da empresa de trabalho temporário Jobsquad, apontou que esta iniciativa também deverá contribuir para “desmistificar a imagem do trabalho temporário” e afastar a ideia de exploração laboral que lhe está associada.

De acordo com a informação prestada, o centro tem capacidade para acolher até 400 pessoas e o funcionamento será assegurado pela Diocese da Guarda, que recebe uma contrapartida de sete euros por noite/trabalhador, a pagar pelas empresas de trabalho temporário.

O período de funcionamento abrangerá não só a campanha da cereja (fruto pelo qual este concelho do distrito de Castelo Branco é conhecido), mas também durante a apanha do pêssego, maçã e outra fruta, podendo dar resposta a toda a região.

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